A corrida pode ser uma excelente válvula de escape para fases estressantes ou mesmo para organizar os pensamentos depois de um dia cheio. Inclusive, já fiz até um post aqui falando sobre como ela me ajuda a colocar a cabeça no lugar.

Com certeza, não sou única. Conheço muita gente que também faz da corrida uma forma de acalmar a mente, ou que encontrou uma resposta para algo que estava lhe incomodando depois de um bom treino. Porém, se antes isso era mais uma sensação – e podia até parecer “papo de corredor” para alguns, hahahaha… – agora tem uma explicação científica. E mais: tem um tipo de treino de corrida mais indicado dependendo do efeito que você está buscando!

Estudos com imagens do cérebro mostram que, depois de 30 minutos de exercício aeróbio, há um aumento na atividade do sistema frontal do cérebro, região que está associada justamente com a tomada de decisão, planejamento e… resolução de problemas! Para esse tipo de reflexão, um exercício mais longo e com intensidade moderada é excelente – por isso você deve voltar dos seus longões tão cheia de ideias. 😉

Já se a última coisa que você quer é ficar remoendo pensamentos e seu desejo é simplesmente parar de pensar por alguns minutos, os treinos ao estilo HIIT, como tiros de velocidade e intervalados, parecem ser a melhor pedida. Isso porque os exercícios anaeróbios e de alta intensidade fazem o corpo bombear mais sangue para os seus músculos, gerando uma espécie de déficit de oxigênio no cérebro que torna mais difícil ter pensamentos criativos e abstratos. (Mas fique tranquila que isso é só durante o exercício; a longo prazo, o efeito é benéfico e há estudos que sugerem uma melhora na memória e na atenção de pessoas sedentárias que adotaram programas de treinamento de HIIT.)

“Quando você faz exercícios que exigem um grande esforço físico, não vai ser capaz de resolver problemas ou pensar do mesmo jeito que faria durante um exercício moderado”, explica Karen Postal, professora de psicologia da Harvard Medical School e presidente da Academia Americana de Neuropsicologia Clínica em entrevista para a New York Magazine.

O que pesquisas recentes indicam é que exercícios físicos podem melhorar o foco, a concentração e a sua capacidade de pensar durante a sua execução, desde que sejam realizados com uma intensidade moderada. “Se a intensidade for baixa, não vai melhorar o seu pensamento; se for muito alta, vai tornar mais difícil ter certos tipos de pensamento”, afirma a pesquisadora.

Agora você sabe: quer refletir sobre a vida? Uma corrida longa e em um ritmo confortável (ou qualquer outra atividade aeróbia que você goste) pode ser a melhor maneira de encontrar soluções para os seus problemas. Quer dar um sossego para a sua cabeça e esvaziar a mente? Taca-lhe pau e aposte no HIIT, nos tiros ou nos intervalados para descarregar a adrenalina e o estresse. E aproveite ao máximo os benefícios da corrida! 😀

Concentra... e vai!

Concentra… e vai!

Já falei em mil posts aqui como foi um desafio para mim começar a correr e conquistar meus primeiros kms com um ritmo constante e sem atacar minha bronquite. Não posso negar que isso me segurou antes de enfrentar novas distâncias, afinal, eu queria correr essas distâncias com prazer e segurança, e não com medo de ter um ataque de asma, né? rs… E, naquele momento, ainda estava difícil encarar qualquer coisa acima dos 5k, então preferi me concentrar em melhorar minha corrida de modo geral antes de estabelecer metas.

Aos poucos, consegui preparar meus pulmões para exercícios mais longos, e aí foi a hora de partir para os 10k. E nas provas era muito legal perceber como eu dava conta, sim, porém nos treinos era uma verdadeira guerra. E não era pela falta de fôlego, não! Era contra a minha cabeça.

Prova é prova, né? Você acaba se distraindo, se empolgando com as pessoas em volta, sempre tem alguém que passa e grita algo que te impulsiona para frente. Mas treino não tem jeito: é você e você. Fim. Parecia que meu cérebro sabia quando dava 5k e já mandava aquela mensagem pro corpo de “pronto, missão cumprida!” e era uma tortura correr além desse ponto… Eu ficava naquela negociação mental, quilômetro a quilômetro, até conseguir concluir o treino pretendido. Quando me acostumei com os 10km, vieram treinos de 12 km no fim de semana, e nem preciso dizer que o mesmo se repetiu: chegava nos 10km e pá! Começava essa luta mental outra vez…

Recentemente, fiz minha segunda prova acima dos 10k (a Vênus 15k, aqui em São Paulo). Enquanto estava lá correndo, “conversei” muito comigo mesma — quem mais faz isso? rs — e comecei a me dar conta de quanta coisa que mudou de um ano para cá!

Primeiro porque nessa prova tive um dos raros momentos em que chegou a placa dos 10k e eu não quis parar (honestidade, rs). Na verdade, percebi que se tivesse me inscrito para 10k, e não para 15k, terminaria a prova confortável demais, com gostinho de quero mais. Claro, eu ia forçar um pace mais rápido, tentar um RP nos 10k (ele veio depois, na Global Energy Race, nesse último domingo), mas ainda assim ficaria pensando que deveria ter ido para 15k. Então, quando eu cheguei na placa dos 10 na Vênus, pensei comigo: ainda bem que eu me inscrevi pros 15! 🙂

Estou em um momento em que bate uma hora correndo e começo a sentir o fôlego; diminuo o ritmo, “organizo o corpo”, recupero o ritmo e termino a prova bem, mas tem um sofrimentozinho nesse processo. Só que é bom! rs Faz a gente pensar que está se esforçando e vale a pena. (Será que eu sou masoquista? Ou será que, no fundo, todos os corredores são masoquistas? rs) De qualquer forma, a Vênus já foi bem mais tranquila que a minha primeira prova de 16k e minha alegria é que estou conseguindo manter um ritmo confortável pra mim e que é o que quero manter nos meus primeiros 21k.

Meus treinos vão entrar na fase com os maiores longos antes da meia (amanhã tem 17k!), e agora vejo como eles são valiosos na preparação para os 21 km, tanto para o corpo, como para a mente. Fisicamente, acredito que já dou conta dos kms que faltam para a meia maratona, mas a cabeça ainda está no processo de acompanhar — e daí a importância de seguir uma planilha e respeitar as semanas de preparação. Quebrar porque o corpo não deu conta é frustrante, mas quebrar porque a cabeça sabotou é pior ainda! 😛

Para quem se encontra diante de uma “barreira mental” para aumentar as distâncias, como eu enfrentei para chegar aos 10k e depois para ir além dos 10k, meu único conselho é treine. Como dizem: treino mole, prova dura. E o contrário também vale – então vamos ficar com a segunda opção, né? 😉 Treine duro para que as prova sejam momentos de celebração e alegria. Um sofrimentozinho até vai (hehehehe) mas não precisa ser um campo de batalha.

Tem gente que defende que ir em provas é a parte “fácil”; o verdadeiro amor pela corrida nasce nos treinos, porque são neles que enfrentamos as dificuldades, que percebemos nossos limites e temos que negociar com nós mesmos. Alguns dias serão incríveis, outros nem tanto, mas é a vida é desse jeito mesmo. Os treinos são a parte chata, porém necessária, do processo. E quando a gente treina para ir mais longe, fica muito clara a diferença que pular etapas faz lá na frente. Então, mulherada, respira fundo e encara essa planilha com todos os altos e baixos que ela vai te trazer. Compensa!

Quem mais está se preparando para os 21k? Alguma dica?!