Em entrevistas de emprego, era comum vir aquela perguntinha sobre “qual é o seu maior defeito” e mais comum ainda era o candidato responder sem hesitação: perfeccionismo. Tão comum que virou até piada, né? 😛

Um funcionário perfeccionista pode ser visto como aquele que é atento ao detalhe, incansável em seu trabalho e que não vai medir esforços para entregar o que lhe foi pedido. Quase nem é um defeito! Hahaha… Mas tem um lado desse tal perfeccionismo que ninguém fala: muitas vezes, ele nos paralisa. O medo de errar, de não sermos perfeitos, pode nos impedir de arriscar uma nova direção e tentar coisas diferentes.

Como começar a correr, por exemplo. 😉

Certa vez, li uma entrevista da Sheryl Sandberg, que é uma das top executivas do Facebook, falando que seu mantra é “melhor feito do que perfeito”. Esse conceito, aliás, está na cultura do Facebook, em que errar faz parte do aprendizado e do caminho para a inovação. Não significa fazer as coisas de qualquer jeito, pelo contrário! É sobre não ir para o outro extremo dessa ponta, e entender que é melhor você fazer alguma coisa do que não fazer nada, mesmo que ainda não seja MASTER-BLASTER-INCRÍVEL-IMPECÁVEL.

Anos atrás, escrevi um post (aqui) falando sobre como o esporte me ajudou a aceitar que, por mais que eu me esforce, não tem como eu ser a melhor em tudo o que não quer dizer que o que eu tenho a oferecer é tão ruim que eu nem deveria começar. Desde então, tenho procurado aceitar que nem tudo precisa ser perfeito para valer a pena. E é justamente aqui que a corrida mais me ajuda: a entender que posso não ser a mais rápidaposso não conseguir treinar na frequência que gostariaposso não estar no peso que acho mais adequado, mas nada disso é motivo para deixar de correr, já que isso me faz tão bem. 🙂

A verdade é que, por mais que a gente idealize um caminho para realizar nossos objetivos, nem sempre ele vai bater com aquilo que podemos fazer agora, com os recursos que temos em mãos hoje. Protelar com a desculpa de que “depois poderei fazer melhor” é tentador e parece até sábio, mas nem sempre é uma boa ideia. Por quê? Porque imprevistos acontecem e esse momento ideal pode nunca chegar.

Don’t quit, do it! Não desista, faça!

De novo, não significa fazer as coisas de qualquer jeito, mas não deixar que esse perfeccionismo, tão valorizado pela sociedade, vire um problema e acabe sabotando os seus planos!

Todo mundo precisa começar de algum lugar, e esse ponto inicial pode estar longe do que você considera o ideal. Não vou mentir: vencer essa barreira vai ser difícil. Vai parecer exaustivo, cansativo, inútil… Porém, toda vez que você se pegar com esses pensamentos, pergunte a si mesma: será que está realmente tão ruim assim, ou eu é quem estou me cobrando excessivamente? Tem algo que eu possa fazer para melhorar ou é apenas a ansiedade e o medo de falhar falando mais alto? 

Respire fundo e repita comigo: algumas coisas devem ser feitas, mesmo que não estejam perfeitas.

Ao invés de perseguir um ideal de perfeição que só te machuca e paralisa, ou simplesmente desistir de algo que você gosta por medo das críticas (suas e dos outros), que tal investir na melhoria contínua? Não fique pensando no quanto você não está pronta, apenas permita-se começar, permita-se tentar… E permita-se crescer, evoluir!

Talvez você nunca corra a tal maratona, ou tenha aquela barriga tanquinho, ou alcance o pace que hoje faz seus olhos brilharem… É um risco, mas riscos fazem parte da vida. Pelo menos você vai ter feito alguma coisa ao invés de nada – o que, quando falamos de atividade física, já é um grande passo!

Siga em frente, encarando suas dificuldades e limitações como oportunidades para descobrir mais sobre si mesma. Você vai se exercitar, se divertir e, principalmente, aprender bastante coisa no caminho. E esse aprendizado, acredite, vale MUITO a pena! É muito mais sobre a jornada do que sobre o destino final. 😉

Vocês também se cobram bastante? Como lidam com isso? Vamos continuar esse papo nos comentários!

ju-no-hopihariConseguiu me achar na foto aí em cima? 😉

Acho que não existe corredor em todo o mundo que nunca se perguntou, em algum momento, a clássica: será que eu realmente gosto de correr?

No meu caso, essa pergunta já foi muito mais constante – afinal, mesmo conseguindo evoluir desde que comecei a treinar, não é nada digno de destaque entre a média dos corredores, hahahaha… 😛 Mas, brincadeiras à parte, não acho que essa dúvida tenha surgido por conta da performance, não! Sendo sincera, acredito que até mesmo atletas profissionais fazem esse questionamento em algum momento de suas carreiras.

Só que saber disso não torna essa pergunta menos difícil, certo? 😉 Para investir tanto tempo e energia em uma coisa, ela precisa nos recompensar de alguma forma, do contrário, a gente acaba largando no meio do caminho. Por mais incentivo externo que a gente tenha para continuar, só vai rolar mesmo se você quiser de todo coração fazer aquilo – e isso vale pra quase tudo, não só para corrida!

Particularmente, me dei conta do papel que a corrida tinha na minha vida e do quanto eu gosto (amo!) correr em um momento de muito estresse. Sabe quando você está tão sobrecarregada que mal tem tempo para respirar? Pois é, eu estava assim, enlouquecida e superestressada, e tudo o que eu conseguia pensar era em… tirar algum tempo para correr!

Você sabe que é um corredor quando sua resposta imediata para qualquer conflito ou problema que a vida jogue na sua direção é: "eu preciso sair para correr!"

Não sou o tipo de pessoa que consegue correr quando está triste ou com raiva. Esses sentimentos, quando muito fortes, me desconcentram de tal forma que não consigo manter o foco na atividade. Às vezes até me forço, nem que seja para não me entregar a esses sentimentos negativos, mas raramente são treinos bons. 🙁

Já quando não quero pensar em nada, só desligar a cabeça mesmo, não há nada que me ajude mais do que a corrida. Cansar o corpo é a melhor forma que encontrei para relaxar, dormir melhor e – principalmente! – pensar com mais clareza. E sempre agradeço por ter seguido esse instinto e corrido um pouquinho antes de tomar qualquer decisão importante em momentos de muita pressão.

Nem sei contar quantos problemas até então insolúveis resolvi depois de um bom treino!

Se antes, quando me via nessas situações, eu só conseguia pensar em comer, me trancar no meu quarto ou tomar um banho de duas horas, hehehe, hoje a imagem de oásis que surge na minha cabeça é meu tênis favorito e o parque perto de casa. Com certeza, um hábito muito melhor! 😀

Para mim, essa é a prova maior de que a corrida ocupa hoje um espaço inquestionável na minha vida.

E você, quando se deu conta que a corrida veio para ficar de vez na sua rotina?