Eu pensei bastante antes de falar sobre isso aqui porque é um tema controverso… Mas concluí que era importante compartilhar com vocês a minha experiência pessoal, afinal, é para isso que temos um blog, não? 😉 Apenas gostaria de ressaltar que esse relato é baseado totalmente na minha experiência pessoal. Não sou médica, nem tenho formação alguma na área da saúde, então recomendo que vocês se consultem com um profissional de confiança antes de tomar qualquer decisão. Afinal, cada caso é um caso, cada corpo reage de uma forma, e o que pode ter acontecido comigo pode não acontecer com outra pessoa. 

Ao todo, foram 13 anos (quase 14) tomando pílula sem parar. Comecei aos 17 porque tinha acne e um fluxo muito irregular. A recomendação dos médicos (gineco e dermato) foi a mesma: tomar anticoncepcional oral (AC para os íntimos).

No começo, foi uma adaptação bem difícil; nos três primeiros meses, fiquei incrivelmente sensível, chorava por qualquer coisa e me sentia muito triste sem motivo aparente. Foram 90 dias dessa “TPM”, um período em que me senti bastante diferente (pra pior) do meu normal. Era a adaptação, me explicaram, iria passar. De fato, passou e eu fui levando…

Anos depois, comecei a me queixar de outros desconfortos. Estava ganhando peso e me sentindo inchada. Lembro o médico dizendo que o AC não tinha nada a ver com isso, eu é que precisava mudar meus hábitos. De qualquer forma, ele trocou minha pílula para uma mais “moderna”, com menos hormônios e mais barata também, e me indicou um endócrino que me passou uma dietinha bem sem vergonha. Fui para uma nutri e comecei a frequentar a academia. Melhorou. Um ano depois, com dores de cabeça e a acne querendo voltar, troquei de ginecologista — e de AC! — mais uma vez. E fiquei nessa última pílula por mais uns três ou quatro anos…

O que quero dizer é que, mesmo passando por diversos médicos ao longo de mais de uma década, nunca me sugeriram parar com a pílula, sequer me falaram sobre outros métodos. Apenas trocavam a marca e bola pra frente. Até que chegou num ponto em que achei que estava bem adaptada. Na minha cabeça, eu só pararia por um motivo: para engravidar. E voltaria a tomar assim que o médico me liberasse!

Eu nem imaginava como seria a minha vida sem o AC!

Então, no ano passado, quando comecei a treinar com mais intensidade e a ter um acompanhamento médico constante com a equipe multidisciplinar da Integrata Saúde, percebi que estava com muita dificuldade de ganhar massa magra – mesmo treinando certinho, suplementando, inclusive emagrecendo… Para minha surpresa, o AC foi apontado como o “culpado” mais provavél. Mesmo assim, não estava convencida. Eu não queria ter acne de novo, não queria ter um fluxo irregular — e não queria engravidar também.

O que me convenceu mesmo a parar foi quando fiz um exame de sangue imenso de todos os hormônios possíveis e muitos deles estavam completamente fora da curva considerada normal. Mas assim, totalmente, não era nem no limite, era uma coisa absurda de tão acima ou abaixo daquelas indicações que vêm como referência, sabe? Por mais que fossem taxas esperadas para quem toma AC, isso me fez pensar em quanto meu corpo estava diferente do normal para a minha idade por conta da pílula… Tanto que resolvi parar imediatamente.

Agora completei seis meses sem usar nenhum método contraceptivo hormonal. Já haviam me alertado que levaria um tempo para o meu corpo se readaptar e, sinceramente, só lá pro quarto mês comecei a sentir meu corpo voltando ao normal. Antes, ele estava funcionando como um reloginho, como se eu ainda estivesse tomando a pílula. Em março, algumas espinhas apareceram e foi a primeira vez que tive um ciclo mais longo, como era antes de eu começar a usar o AC.

A acne voltou? Sim. No rosto e nas costas, o que é bem chato. Mas está bem mais controlada do que quando eu era adolescente (também fui na dermato e estou usando algumas fórmulas para contornar isso). E saber exatamente quando minha menstruação iria começar e terminar era super cômodo, não vou mentir. Por outro lado, já recuperei um pouco da massa magra (mesmo treinando bem menos do que treinava no ano passado) e quero ver se sinto outras mudanças como o aumento da minha energia, tanto física como mental, antes de dar meu veredito final. Mas, resumindo, acredito que sim, a pílula pode atrapalhar a performance nos treinos e a evolução na corrida.

Nos últimos tempos, a gente tem visto cada vez mais matérias na mídia falando sobre aspectos negativos do uso de anticoncepcionais. Além de casos graves de trombose e de AVC, que foram até capa de revista semanal, já há pesquisas associando o uso de AC na adolescência com depressão e outras questões de saúde mental, variações na libido e queda no bem-estar das mulheres de modo geral – coisas que antes eram negligenciadas porque eram consideradas efeitos colaterais “menores”.

Entendo que os tempos eram outros e, de verdade, não acho que nenhum médico que me indicou o AC nesses anos todos o fez porque era inescrupuloso, negligente ou porque “vendeu a alma” para a indústria farmacêutica. Acho que faltava informação. Hoje, finalmente (!!!), estudos mais completos estão sendo feitos sobre o tema e espero que isso leve a uma melhora dos anticoncepcionais como um todo, inclusive com a criação de um anticoncepcional masculino (convenhamos, já demorou, né?!).

Informação nunca é demais e, quanto mais informação tivermos, melhores serão as nossas escolhas. Na verdade, só há escolha de fato se houver informação antes. Por isso, pesquisem, perguntem, mudem de médico quantas vezes forem necessárias, mas não minimizem esses desconfortos porque, não, não é você que é preguiçosa, louca ou está de “mimimi”. Eu, por exemplo, optei por parar por um período (pretendo ficar pelo menos um ano sem hormônios) para descobrir como meu corpo responde. Se possível, vá acompanhando com um médico, fazendo exames de tempos em tempos para ver as alterações e ir comparando.

Mais para frente eu volto para contar como está sendo, ok? 😉

Ah, e para quem quer saber sobre outros métodos anticoncepcionais além da nossa velha conhecida camisinha (que é excelente, pois também previne uma série de DSTs), a indicação que recebi foi colocar DIU – mas optei por não colocar porque tenho planos de engravidar mais pra frente. Ah, e DIU não é apenas para mulheres que já tiveram filhos; mesmo quem nunca engravidou pode colocar – inclusive, dá para colocar o DIU TCu 380 (DIU de cobre) gratuitamente pelo SUS. Converse com seu médico e veja o que ele indica para você!

E vocês, têm alguma experiência para compartilhar? Vamos continuar essa papo nos comentários do post!

Oi, mulherada!

Hoje vou contar para vocês um pouco mais sobre as mudanças que fiz na minha alimentação nos meses que antecederam a meia maratona com a orientação da dra. Luciana Corrêa, nutróloga da Integrata Saúde – e que, como vocês já sabem, me renderam uns quilinhos a menos! Uhu! 😉

Desde o meu casamento eu não conseguia baixar o ponteiro da balança, que estava estacionado nos 69, 68 quilos. Por um lado foi bom, porque manter por dois anos o peso que perdi desde que comecei a correr e, especialmente, durante o noivado é sinal de que meu corpo se adaptou à nova realidade – e olha que fui dos 75 kg para os 69 kg. Por outro lado, eu começava a acreditar que nunca mais voltaria ao peso dos meus 20 e poucos anos (na casa dos 64 kg).

No meu aniversário em 2012, antes de começar a correr; no meu casamento em 2014, 6 kg mais magra; e no casamento de uma amiga no final de outubro, com mais 3kg eliminados

No meu aniversário em 2012, antes de começar a correr; no meu casamento em 2014, 6 kg mais magra; e no casamento de uma amiga no sábado passado, com mais 3kg eliminados.

Uma das minhas maiores dificuldades sempre foi baixar meu porcentual de gordura corporal, que estava ali beirando os 30%. A corrida é uma ótima aliada no emagrecimento, especialmente quando a gente passa a aumentar as distâncias (treinar para uma meia maratona, por exemplo). Mas sem se alimentar corretamente o resultado pode ser um pouco diferente do esperado: perdemos peso, só que, nesses quilinhos a menos, não tem só gordura, não… Tem massa magra também!

Uma vez que consegui organizar os horários das minhas refeições e entender melhor os sinais de fome e saciedade do meu corpo, identificamos, dentro do Programa On Run, que eu precisaria começar a suplementar também e aí passei a me consultar com uma nutróloga e não mais com a nutricionista.

A principal diferença é que, por ser médica, a nutróloga pode prescrever medicamentos – no meu caso, não usei inibidores de apetite ou algo do tipo, mas a maior parte dos suplementos que tomo é manipulada. Assim, tenho uma fórmula personalizada para suprir as vitaminas e minerais que estão em falta no meu corpo,  de acordo com meus objetivos e também com os resultados dos meus exames de sangue. E põe exame de sangue nisso: foram 17 páginas! Nunca fiz um exame de sangue tão extenso em toda a minha vida!! rs

O cardápio não mudou muito nesses dois meses que antecederam a meia, o que mudou mesmo foi a inclusão da suplementação, em especial antes e depois dos treinos. E deu para perceber diferença: senti mais energia durante a atividade física, menos fome depois e uma recuperação mais rápida entre um treino e outro. Isso me ajudou a manter a dieta com mais regularidade e…

ju-vargas-peso-out2016

Histórico da composição corporal

…consegui sair da casa dos 68 quilos! Nem acreditei, mas perdi 3,3 kg em pouco mais de dois meses. 🙂

Vocês vão notar que tem diferença aqui em relação às balanças que postei no resultado do desafio porque 1. a balança do consultório é bem mais precisa que a da farmácia; e 2. no consultório eu me peso só de calcinha e camiseta, bem diferente da farmácia, em que nem tiro o sapato, né! Hahahaha… Mas comparando as pesagens de um mês com o outro, tem essa mesma queda de um quilo nas duas balanças (entre setembro e outubro).

O único aspecto negativo é que… olha a massa magra caindo ali! Pois é, ainda estou com dificuldade nessa parte e, junto com a dra. Luciana, identificamos o provável vilão: o anticoncepcional. Sei que isso deve deixar muitas de vocês curiosas, então farei um post mais completinho sobre o tema depois.

Além disso, como meu volume de treinos de corrida vai diminuir nos próximos meses, com menos quilômetros por semana, mudamos a dieta para focar no meu novo objetivo, que é fortalecimento. Ou seja, menos carboidratos e mais proteínas. Daqui dois meses volto ao consultório para avaliar os resultados e depois venho aqui no blog relatar para vocês como foi essa nova etapa.

Enquanto isso, vocês podem acompanhar um pouco do nosso dia a dia e do #DesafioRJR2016 (que continuamos firmes e fortes até o fim do ano) no Instagram e no Stories do CM. 😉

Bora treinar e comer direitinho para fortalecer e correr ainda melhor em 2017!

parceiro-integrata

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