Olá meninas!

Chegamos ao final da nossa primeira corrida virtual e como parte da participação, todas as corredoras contribuíram com um coletivo que a gente adora, o MariaLab. Em todos os nossos aniversários, a gente sempre buscou contribuir com algum projeto, nos 3 primeiros aniversários juntamos muitas doações para o Projeto Vida Corrida e também para a biblioteca do Parque do Povo (parque que sempre acolheu nossos treinos comemorativos). Este ano decidimos mudar, eu, Aline e Ju trabalhamos na área de tecnologia, e a primeira coisa que se nota em qualquer lugar que há um departamento de tecnologia, ou um curso na área, é que o ambiente é dominado pelos homens. Para democratizar, o coletivo MariaLab foi criado e vem fazendo um trabalho muito legal, e por isso pensamos em contribuir. 🙂

O que é MariaLab?

MariaLab é um coletivo que surgiu de uma ideia: a grande maioria dos hackerspaces e makerspaces no Brasil e no mundo, embora sejam receptivos com as mulheres, não só têm uma maioria de frequentadores masculina como, por conta disso, acabam por deixar de lado algumas características e necessidades compartilhadas pela maioria das mulheres na área de STEM. Sentimos a necessidade de ter um espaço criado por mulheres, onde não somos minoria, e somos as protagonistas.

O Manifesto

Somos feministas interessadas em explorar as ciências exatas. Pautamos a interseccionalidade nas nossas ações, não toleramos machismo, homofobia, transfobia, misoginia, xenofobia e racismo.

Nosso objetivo é encorajar, empoderar e unir mulheres através do interesse pela cultura hacker.

Consideramos necessário criar espaços seguros para que possamos compartilhar, aprender, inventar e experimentar através da atuação e autonomia de mulheres na área.

Nos baseamos em políticas anti-opressão para tornar esses espaços, sejam eles físicos ou virtuais, em ambientes politizados e realmente inclusivos.

Aqui a voz e o protagonismo pertencem a diversidade.

Por que MariaLab?

Maria é um nome extremamente comum não só no Brasil quanto no mundo. Somos todas um pouco Maria.  Maria Meyer, Maria Mitchell, Maria Gaetana Agnesi, Marie Curie, todas Marias que são exemplos para cada mulher. E “Lab” vem de laboratório, de local para aprendizado e experiências e descobertas.


Para conhecer mais do projeto, acesse o site e também acompanhe nas redes sociais: twitter e facebook.
Elas estão sempre divulgando cursos e oficinas para a mulherada.


E fica aqui o nosso muito obrigada a todas as corredoras que participaram do #4AnosCM com a gente. <3 Todos os anos foram especiais, mas este aniversário foi in-crí-vel. Foi maravilhoso esses meses acompanhando os treinos, as corridas e tudo o mais, mas logo logo tem um post só sobre isso, tô adiantando porque não tô me aguentando de felicidade, rs. 😉

A cena é extremamente comum: você escolhe uma legging, uma camiseta, um top, calça o tênis e sai para correr. Saindo na rua, você escolhe para qual lado da rua vai e foca nos pés, na respiração, na música, no treino que vai ser difícil, na lista de compras de mercado que deixou em casa, em qualquer coisa. O treino vai indo tranquilamente, até que você vê aquele cara ali na frente, te olhando. Você vai se aproximando, já pensando “não mexe comigo, cara, por favor”. Mais alguns metros e você vê que ele já está até abrindo espaço pra você passar, com um sorrisinho. Tá correndo pra mim, gostosa? Que delícia, já tá toda molhadinha. Lamberia esse suor todo. E você ali, sozinha, por sua própria conta, sem saber o que fazer. Continuar correndo é uma opção, mas e esse sangue fervendo e a vontade de voltar e falar impropérios para o cidadão? E a vergonha de ter ouvido isso tudo? E a culpa que você sente porque, realmente, essa legging é muito grudada no corpo e mostra mais do que o que é seguro para uma mulher sozinha na rua.

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Infelizmente, grande parte dos homens e mulheres acham que esse tipo de assédio sexual é normal, que não faz mal à ninguém e que “Hey, aquela menina saiu assim porque queria mesmo era chamar atenção. Ela gosta das cantadas.”. Pra gente, estamos apenas confortáveis e bonitinhas para treinar. Pros outros, estamos deixando a calça grudada na bunda e a camiseta mais curta porque a gente quer mesmo é que encarem a nossa bunda e o short é curto porque a gente quer que olhem e falem das nossas coxas.

Esse tipo de coisa faz com que a gente queira desistir. Desistir de malhar, de correr, de sair sozinha para aproveitar o dia, só você e seu par de tênis. Quantas e quantas vezes eu, ao ir ou voltar da academia não quis morrer quando algum babaca passava e buzinava? Quantos “ô maravilha” não quis enfiar de volta na boca do cara e dar um chute no saco dele? Isso sem contar todas as vezes em que saio de madrugada de casa para ir à alguma prova e fico apreensiva por alguém fazer alguma coisa comigo no trem ou metrô?

Esse post do Lugar de Mulher dá alguns exemplos do que deixamos de fazer por causa do assédio e eu me identifiquei com vários, aposto que você também vai se identificar. Aí eu te pergunto: a gente merece isso? A gente pede por isso quando coloca aquela roupa super confortável e que faz a gente se sentir linda? Não, minha amiga, a gente não merece. A gente não quer. A gente não gosta. Pior: a gente tem nojo. NOJO. Alguém aí já viu uma mulher receber esse tipo de abordagem e querer beijar o cara? Claro que não.

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Uma coisa muito legal que tem acontecido é que cada vez mais e mais, estamos falando no assunto. Mulheres estão falando o quanto isso incomoda e nos faz mal e homens tem mudado o comportamento. Claro que isso é um trabalho para muitos anos (talvez até gerações), mas quanto mais gente se conscientizando, melhor. Iniciativas para proteger as mulheres andam aparecendo aos montes e separamos duas para mostrar a vocês.

Chega de Fiu Fiu

O Chega de Fiu Fiu foi criado pela Juliana Faria, depois que ela foi assediada de uma maneira violenta em um Carnaval. Vale a pena assistir à essa palestra dela no TEDx Talks e conhecer a história inteira. A ideia da iniciativa é lutar contra o assédio sexual em locais públicos e outros tipos de violência contra a mulher. Você pode ler um pouco mais sobre nesse post do ThinkOlga.

No site, você pode pesquisar por ocorrências em sua cidade e até contribuir marcando locais onde sofreu assédio, com um pequeno descritivo do ocorrido. Também há a opção de denunciar algum caso que você tenha presenciado, para ajudar a vítima.

Atualmente está sendo filmado um documentário sobre o assunto. Você pode conferir o trailer aí em cima e, aposto, vai ficar muito curiosa para assistir o documentário na íntegra. Há uma campanha para arrecadar fundos para o projeto, que é todo feito por mulheres.

Vamos juntas?

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Você está andando sozinha, a rua é deserta, você está morrendo de medo e ouve alguém andando atrás de você. Ao olhar para trás, vê que os passos são de outra mulher, tão assusta quanto você. Que tal perguntar pra ela se vocês não podem ir juntas, já que estão indo no mesmo caminho? Duas são mais fortes que uma, vocês vão ficar mais tranquilas e seguras. Essa é a ideia do Vamos Juntas, um projeto muito legal criado por Babi Souza.

Na página no Facebook você pode ler relatos de mulheres que toparam o desafio, sugeriram a desconhecidas que também pareciam assustadas que andassem juntas e adoraram a ideia. É simples de fazer e vai fazer com que vocês duas se sintam mais seguras. Sororidade, gente. Tá aí uma coisa muito importante e que a gente tem que praticar.

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Talvez você seja do tipo que gosta de sair com tudo combinando, talvez o seu look esteja mais pra “abri o armário e peguei o que vi pela frente”. De qualquer jeito, você está sujeita a ser abordada por alguém na rua. Então, aqui fica o pedido: vamos lutar contra esse assédio, conversar e explicar para quem conhecemos que isso não é ok, sermos solidárias à outras mulheres que passam por isso e, principalmente, vamos brigar para que possamos, finalmente, correr/andar/sentar/viver sossegadas onde, como e quando quisermos.

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