Olá mulherada!

Quando surgiu a oportunidade de correr a minha primeira maratona na França, surgiu um monte de dúvidas sobre como funciona a inscrição por lá e como eu deveria me inscrever para correr a prova, a Maratona da Riviera Francesa.

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As principais provas do país contam com site com versões em inglês e francês, o que já facilita, se você tiver dificuldades com os idiomas é só jogar no Google Translate. 🙂

O processo de inscrição é bem parecido com o nosso. Você entra no site, clica em REGISTRATION e segue os procedimentos. Normalmente é tudo bem explicadinho. Algumas provas você pode se inscrever rapidamente pelo site, em outras você se cadastra para um sorteio.

A maior diferença é que para correr por lá, você precisa enviar um certificado médico (o nosso atestado médico). O certificado é bem simples, você pode imprimir este modelo em francês, preencher e levar para seu médico assinar e carimbar. Sem ele você não recebe o kit da prova. Então fique atenta aos prazos no site da organização, pois em algumas provas você deve enviar pelo site ou por e-mail, em outras você deve apresentar na hora de retirar o kit. 🙂

Para não ter dúvidas sobre o preenchimento: Nom de la course, aqui você coloca o nome da corrida em francês. Logo após Dr preencha com o nome do seu médico. Após M/Mme preencha com seu nome (igual ao passaporte). Date de naissance (data de nascimento), Age (idade). Em Certificat établi à coloque o nome da sua cidade, estado e país (ex.: São Paulo/SP, Brésil). Daí o médico coloca a data (date), assina e carimba no espaço (Signature du Médecin, Tampon du médecin). 😀

Se animou para correr uma prova na França? Tem opção para todos os gostos! 😀

Provas na França

Dia 19 de outubro era o dia da W21k, uma meia maratona para mulheres. Uma prova feita especialmente para nós. Eu ia correr, pois é ia, mas eu não corri. Para muitos isso pode ser encarado como um fracasso. Se você aceitou o desafio, vai lá e cumpra-o, certo? Não é bem assim que funciona, não. E pensei bastante sobre isso.

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Na sexta-feira antes da corrida, a Alice passou a noite com febre e eu consequentemente acordada… não preguei os olhos a noite toda. Durante o dia ela continuou com tosse, o nariz bem ruim, mas eu estava bem. O sábado chegou e foi a minha vez de não acordar muito bem, senti dores no corpo e não estava legal. O resfriado estava me pegando também. De sábado para domingo, simplesmente não dormi, eu ruim e a Alice também. Ainda que não estivesse 100% fui para a USP. Demorei um pouco para chegar no local da prova, pois domingo a condução as vezes não ajuda… rs.

No percurso da Estação Butantã até a USP, dei alguns trotes para ir mais rápido e não me senti nada bem, falta de ar, corpo pesado e comecei a colocar na cabeça que realmente era para eu ficar quieta no meu canto e acompanhar a JuVa na torcida.

Vi a largada e me deu uma sensação de aperto no peito, queria estar ali correndo, mas ao mesmo tempo pensei em várias coisas que hoje em dia levo muito em consideração:

1) Tenho a Alice, não podia simplesmente forçar meu corpo e me prejudicar depois – tanto que fiquei ruim toda a semana depois da prova, e bem ruim mesmo… será que se tivesse forçado ficaria ainda pior? Teve dias que queria dormir o dia todo, mas tinha uma bebê de 9 meses serelepe que não estava nem aí e queria brincar… rs.

2) Meus treinos não foram tudo o que planejei, então poderia quebrar no meio e poderia ser pior com o corpo não estando 100%. E acho que quebrar e ter que desistir no meio, pra mim é pior do que nem correr.

3) Iria correr a prova sozinha, será que conseguiria com as dificuldades? Não iria passar mal? Me prejudicar com alguma lesão? Sei lá o que poderia acontecer e me deixar sem correr depois seria pior.

E por fim, a pergunta que mais me fez pensar: É assim que queria completar minha primeira meia maratona? A qualquer custo? Não, definitivamente, não. Quero completá-la disposta, na melhor forma possível. Pra mim, completar por completar não era uma opção. E por isso, por mais que tenha dado um aperto na largada, eu decidi que não iria.

E eu não desisti, eu simplesmente adiei.

Tem melhor medalha do que a Alice brincando e bem? <3

Li na Revista Contra Relógio a seguinte frase:

O equilíbrio entre o parar e o insistir depende fortemente da maturidade da pessoa e de sua capacidade de avaliar uma situação a longo prazo. Parar em uma corrida muitas vezes é o caminho mais curto para novas conquistas. Procurar essa capacidade de conhecer seu limite e tomar decisões certas, disso sim não podemos desistir.

Vocês já deixaram de correr alguma prova? Me conte como foi. 🙂
Para quem não deixou, o que fariam vocês deixarem de correr uma corrida?