A Lucia Storer Ribeiro foi uma das integrantes da nossa equipe no Revezamento Bertioga-Maresias no ano passado e é fã das provas de montanha. Entre as muitas que ela já fez, o Desafio 28 Praias tem um lugar especial: esta foi a terceira vez que ela participou da prova! São 42km ao longo de 28 praias, sendo 20 delas desertas, da Praia da Tabatinga até a Praia Dura, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo.

A primeira vez que a Lu correu essa prova, em 2015, ela fez os trechos 2 e 3. No ano seguinte, em 2016, fez o revezamento em dupla, correndo a segunda metade. Já este ano, ela encarou os 42 km solo! Foi a sua quinta maratona, sendo a terceira de montanha/trail, precedida pelo Deserto do Atacama e Rei da Montanha. Sim, ela é fera! Por isso, estamos muito felizes em ter o post dela aqui hoje contando todos os detalhes do Desafio 28 Praias para inspirar outras corredoras a trocar o asfalto por novas paisagens. 😉

***

Esta foi a terceira vez que participei do Desafio 28 Praias, porém a primeira que fiz solo todo o percurso. Como preparação para a prova, meu marido Mauro e eu corremos, treinamos (com excessão da musculação) e fizemos dieta juntos. Segui uma planilha do Matt Fitzgerald e dieta low carb do nutrólogo Miguel Tadeu Pistilli.

Me atrapalhei com a rotina, mas pelo menos os longos aos finais de semana foram feitos religiosamente. Nossos longos são realizados, na maioria das vezes, em Peruíbe, cidade do litoral sul de São Paulo onde minha sogra mora. É uma praia de areia dura e plana. Gostamos de correr na Serra do Guaraú e na Jureia para nos prepararmos melhor para esse tipo de prova. Aproveitamos os treinos para tomar banho de mar em praias desertas e cachoeiras.

Lucia correndo ao lado do marido Mauro

Quando viajamos para correr, costumamos alugar uma casa com amigos. Desta vez, ficamos na praia de Maranduba, exatamente na metade da prova, no ponto em que acontece a largada dos 21 km solo. Na sexta-feira, pegamos nossos kits na Praia Dura, em Ubatuba. Não havia filas, foi super rápido.

Também separamos as roupas e os equipamentos para a prova no dia anterior: tênis (Salomon Vario), meias, canelitos e bermuda de cor escura (para evitar manchas de lama), top do patrocinador, colete de hidratação (Salomon S-LAB ADV SKIN3), bastão (eu com um da marca Karter, que comprei no Atacama; e o Mauro com dois da Quechua, que compramos na Decathlon, bem mais leves) e luvas para proteger as mãos das cordas.

Outra dica é passar papel contact no número de peito porque, na última edição da prova, o número dos corredores que se molharam ficou completamente apagado, o que dificultou comprar as fotos oficiais da corrida.

De manhã, tomei café preto e comi um sanduíche integral com queijo e presunto. Mauro tomou café e comeu um omelete de presunto e queijo. Para consumir durante a prova, levei carboidrato gel, um complexo receitado pelo meu médico (MCT, Palatinose, D-Ribose e WaxyMaze), paçoquinha e comprimidos de sódio, potássio e magnésio. O Mauro levou salame, dois complexos, sal do Himalaia, azeitonas, coco e água. Tive dificuldade em me adaptar a uma dieta cetogênica, por isso minha alimentação tem mais carboidratos do que a do Mauro. Inclusive, antes da prova, aumentamos a ingestão dos carboidratos integrais, sendo liberado o carboidrato refinado durante os longos.

Nosso amigo Werneck foi para nos dar apoio. Deixamos uma mala no carro com troca completa de roupa, lanche natural e isotônico. Ele nos encontrou na metade do percurso, quando comemos e trocamos as meias que estavam molhadas.

A prova teve as seguintes modalidades: solo masculino 42K, solo feminino 42K, solo masculino 21K, solo feminino 21K e revezamento dos 42K masculino, feminino e misto em até 5 atletas. O percurso foi o seguinte:

  1. LARGADA: Praia da Tabatinga até a Praia da Caçandoca. Percurso: estrada de terra, trilha fechada single-track, praias de areia fofa. Nível: muito difícil. Distância: 14.900 m. Recomendado para atletas experientes em corrida de montanha.
  2. POSTO DE CONTROLE 1: Praia da Caçandoca até Praia Maranduba. Percurso: praia, trilha, estrada de terra e travessia de rio. Nível: difícil. Distância: 6.060 m. Para a travessia do rio Maranduba, são disponibilizados coletes salva-vidas, guarda-vidas no local e a opção de atravessar com o barco de apoio (com acréscimo de 10 minutos no tempo de prova).
  3. POSTO DE CONTROLE 2: Praia Maranduba até Praia da Lagoinha. Percurso: praia com inclinação e areia fofa. Nível: médio. Distância: 5.000 m.
  4. POSTO DE CONTROLE 3: Praia da Lagoinha até Praia da Fortaleza. Percurso: trilha fechada e praias com areia fofa. Nível: difícil. Distância: 8.000m. Recomendado para atletas experientes em corrida de montanha.
  5. POSTO DE CONTROLE 4: Praia da Fortaleza até a chegada à Praia Dura. Percurso: via asfaltada local e praia. Nível: difícil. Distância: 8.190 m.

Primeiro, houve a largada do solo masculino 42k, depois solo feminino 42k e então do revezamento na Praia Tabatinga. Após 1h30 da largada solo dos 42k, teve a largada do solo 21k na Praia Maranduba.

Particularmente, acho que a organização poderia repensar essa estratégia para a próxima edição: na prática, enquanto os corredores do solo 42k se poupavam, principalmente na primeira metade do percurso, os corredores do revezamento passavam atropelando todo mundo, muitas vezes de maneira irresponsável, colocando em risco a segurança dos participantes. Acredito que seria mais adequado o revezamento, que é mais rápido, largar primeiro, e depois o pessoal do solo.

Foi a primeira vez que fiz o primeiro trecho do desafio. É o trecho mais temido, por ter subidas íngrimes e single-tracks técnicas. Confesso que esperava por coisa pior! Ainda assim, demoramos quase 3 horas para completá-lo. A chuva dos dias anteriores também compromoteu esta edição da prova, havia muita lama. Era preciso certa experiência e equipamento adequado – no mínimo, tênis para trail e cinto ou colete de hidratação.

O rio Maranduba é outro trecho temido e sempre uma incógnita. O melhor é esperar de tudo: rio seco, rio cheio, atravessar a pé, nadando ou de barco. Eu atravessei as duas vezes de barco, mas nesta última edição o rio estava bem mais fundo. Tem que proteger eletrônicos, como celular e fones de ouvido, porque há risco de molhar sim.

Muita gente perdeu o chip durante o percurso. Acho que os organizadores deveriam repensar sobre isso também; as pulseiras saíam facilmente do braço durante quedas e, principalmente, ao atravessar o rio nadando.

Paramos diversas vezes durante a prova. Para subir, para tirar areia do tênis, para comer, para hidratar, para fotografar, para ir ao banheiro – aliás, esquecemos papel higiênico! Felizmente, o Mauro conseguiu um pouco com uma moça na fila do banhero químico. E quando a dor de barriga apertou novamente, a saída foi pedir para usar o banheiro de uma casa à beira-mar, onde estavam hospedados corredores que, gentilmente, abriram a porta para nós.

No último trecho, ficamos uns 40 minutos parados na trilha. Duas pessoas precisaram ser resgatadas com maca, uma com hipoglicemia e outra com fratura da perna. São riscos que corremos ao largar numa trail run. Os tombos são frequentes, o esforço é muito maior.

Achei que terminaria o desafio em 6 horas, mas que nada! Fechamos em 8h30. Confesso que, no km 30 mais ou menos, eu já estava incomodada com o congestionamento da trilha e chorei ao entrar na Praia Dura. Minha cabeça não estava programada para suportar tantas horas de prova!

Mas todo esforço é válido quando pegamos a medalha e comemoramos com os amigos! Churrasco, espumante e uma bela noite de sono são nossos troféus!!! 🙂

A Corrida da Leitora é um espaço para compartilhar histórias, conquistas, superações, dicas e muito mais! Quer participar? Preencha o formulário e entraremos em contato.

No finalzinho do ano passado, contei para vocês sobre o Breaking2, um projeto especial da Nike para tentar não apenas quebrar o recorde mundial da maratona, como completar a distância abaixo de duas horas.

A princípio, a gente só sabia quem seriam os atletas que tentariam esse feito histórico: Lelisa Desisa (Etiópia), Eliud Kipchoge (Quênia) e Zersenay Tadese (Eritreia). Também estava claro que a busca pelo Breaking2 não aconteceria em uma prova oficial, mas em uma data e local especialmente escolhidos, considerando fatores como temperatura, vento, terreno etc…

A marca dedicou muito tempo e esforços para definir onde e quando o Breaking2 iria acontecer. Pois agora esse mistério acabou! A primeira tentativa oficial da Nike será realizada no primeiro fim de semana de maio (não sabemos ainda se no dia 6 ou 7), no complexo do Autódromo Nacional de Monza, na Itália!

Autódromo de Monza, na Itália (Divulgação/Nike)

Segundo a equipe multidisciplinar que a Nike montou especialmente para o Breaking2, o Autódromo de Monza oferece todas as condições ambientais e técnicas necessárias levando em consideração, entre outras coisas, os seguintes fatores:

  • O céu é normalmente nublado, minimizando a carga de calor nos corredores;
  • Temperatura amena, oscilando em torno de 12 graus Celsius;
  • Pressão do vapor, que é menor do que 12mmHg;
  • Correntes de ar não apresentam mudanças de direção drásticas, uma vez que o percurso está situado ao largo da costa e no meio de muitas árvores;
  • Falta de declives, o que proporciona um piso limpo e uniforme em todo o circuito;
  • Extensão da volta com 2,4 km, o que permite a gestão perfeita de ritmo, hidratação, nutrição e transições da equipe de apoio;
  • Layout da volta e tipo de terreno também atendem aos critérios essenciais para otimizar a tentativa.

Definidos data e local, é claro que não poderiam faltar também os equipamentos!

Após estudos minuciosos de engenharia e design de produto, a Nike criou um novo tênis conceito, que será utilizado pelos três atletas na tentativa da quebra do recorde – o Nike Zoom Vaporfly Elite. Mas nem adianta cobiçar porque esse tênis não será vendido, apenas suas versões “inspiradas”. Algumas inovações, como a estrutura e a nova entressola ZoomX, foram introduzidas em dois novos modelos de corrida que chegam às lojas no dia 8 de junho: o ZoomFly e VaporFly 4%.

É o mais perto que poderemos chegar dessa tecnologia, pelo menos por enquanto! 😉

E não só o tênis será ajustado individualmente, como todas as peças de vestuário que serão utilizadas pelos atletas, da regata às meias. Dados do corpo de cada um deles foram digitalizados para oferecer ventilação, compressão e comprimentos exatos.

Sim, parece que eles pensaram em tudo e não deixaram escapar um detalhe sequer!

A corrida será apenas para convidados. Do Brasil, a Nike está levando duas mulheres para acompanhar de perto: a Valery Mello e a Isabella Lopes. Muito legal, né? Achei ótimo serem duas mulheres, hahahaha… (Bora, mulherada!)

Isabella e Valery, as brasileiras escolhidas pela Nike para ver o evento de pertinho! (Reprodução/Instagram)

Embora o evento seja fechado para o público, a Nike vai transmitir tudo ao vivo pelos seus canais nas redes sociais, tanto os preparativos antes da corrida como a tentativa em si. A transmissão será apresentada pelo jornalista norte-americano Sal Masekela e vai incluir comentários de atletas profissionais – alguns nomes cotados são Carl Lewis, Paula Radcliffe e Joan Benoit. Só fera! 😉

Será que eles vão conseguir de primeira? Claro, tem muito treino, muito estudo e muita tecnologia envolvidos, mas que dá um frio na barriga… Dá, né?

O que vocês acham? Contem nos comentários!