Dando continuidade aos posts sobre a World Marathon Majors, hoje é dia de falar sobre a Maratona de Boston. Já falamos sobre as Maratonas de Berlim, Chicago, Londres e Tóquio.

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A Maratona de Boston existe desde 1897 e é a prova mais famosa e tradicional do mundo todo! É a maratona anual mais antiga do mundo. De 1987 até 1972, era uma prova exclusivamente masculina, mas 1966 a americana Bobbi Gibb burlou as regras e se tornou a primeira mulher a completá-la. Contamos a história dela neste post.

Atualmente, a prova acontece na terceira segunda-feira do mês de abril, contando com a participação de mais de 27 mil atletas. Em 2016, acontecerá no dia 18 de abril. A qualificação para a prova é bem rígida, devido a grande procura e o percurso não conseguir comportar um aumento de atletas. Os tempos necessários variam com a faixa etária, por exemplo, para mulheres de 18-34 anos, o tempo máximo é de 3h35.

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A largada é na cidade de Hopkinton e a chegada na cidade Boston. O percurso não é um dos mais fáceis, pois tem bastante subidas e descidas, que desgastam bastante os atletas. O recorde masculino atual é do queniano Geoffrey Mutai, que fez o tempo de 2:03:02 e o feminino é da também queniana Rita Jeptoo com 2:18:57.

Bomba explode enquanto corredores cruzam a linha de chegada

Bomba explode enquanto corredores cruzam a linha de chegada em 2013

Um dos fatos mais marcantes, aconteceu em 2013. Um atentado aconteceu a poucos metros da linha de chegada quando a prova ultrapassava 4 horas de duração. Duas bombas foram detonadas com 15s de diferença causando a morte de 3 pessoas e ferindo mais de 200. Os suspeitos Tamerlan e Dzhokar Tsarnaev foram localizados 4 dias depois e após uma caçada, Tamerlan foi morto e Tsarnavev foi condenado a morte.

Rebekah Gregory foi uma das vítimas do atentado e em 2014 cruzou a linha de chegada de cadeira de rodas num tributo às vítimas e aos sobreviventes, antes de ser amputada em novembro do ano passado. Neste ano, ela cruzou a linha de chegada com uma perna de prótese, emocionante!

Mais informações: site oficial.

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Esses dias vagando pela internet me deparei com uma historia super emocionante e um exemplo incrível, e resolvi nessa sexta-feira fria e chuvosa compartilhar com vocês.

Todas nós aqui sabemos que mesmo nos dias de hoje ser mulher ainda não é uma das coisas mais fáceis. Aos poucos, a cada dia, vamos vencendo preconceitos e conquistando nosso espaço e direitos igualitários nesse mundo ainda tão machista. O que me orgulha de ter nascido com uma piriquita é saber que somos mais do que batalhadoras, somos heroínas!

Hoje quero contar pra vocês a historia da incrível Kathrine Switzer, a primeira mulher a correr a maratona de Boston com um número de peito em 1967, quando maratonas eram ainda somente para homens.

Não havia nada no regulamento da maratona de Boston naquela época que proibisse oficialmente uma mulher de participar, mas isso porque os organizadores pensavam: “Afinal, que mulher conseguiria completar uma prova tão longa quanto uma maratona? Nenhuma se meteria a besta a correr 42 km, isso é coisa de homem”! (ironia aqui gente).

Mas Kathrine, então uma jovem de 20 anos que sempre havia gostado de corrida, teve vontade de competir em Boston, e em uma conversa com seu treinador revelou que queria correr a maratona mesmo sabendo que poderia não ser bem-vinda na competição.

Já inscrita na prova, chegou o grande dia. Kathrine fazia o aquecimento para a largada junto de seu namorado enquanto todos os homens a encaravam – afinal era a única mulher e só estava ali porque sua inscrição havia passado despercebida. Ela estava confiante mas com medo, pois era a prova mais longa que já fizera, mas poucos minutos após a largada Kathrine já se sentia aliviada. Ela tinha treinado por meses pra estar ali, então focou inteiramente na corrida.

Estava tudo indo bem quando, perto dos 3km de prova fotógrafos e a imprensa começaram a direcionar o foco totalmente para ela, afinal era uma mulher ali. Percebendo que uma mulher estava participando da prova, um dos organizadores correu em direção à Kathrine e tentou tirá-la à força da competição, com direto a puxão pelo braço, empurrão e insultos. Seu treinador pediu para que o homem a deixasse em paz, disse que a havia treinado, mas o cara insistia em tirar a coitada da prova… Foi aí que em um gesto heroico seu namorado fofo a defendeu dando um empurrão no fiscal de prova que caiu no chão, e todos puderam seguir com a prova (sou contra a violência, mas esse organizador super mereceu).

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Ainda que envergonhada com o episódio e preocupada com sua repercussão, Kathrine continuou o percurso, mesmo aos prantos, pois depois de tudo aquilo ela tinha que continuar. Naquele ponto todos os participantes homens estavam ao seu lado a apoiando. A raiva daquele momento fez Kathrine seguir em frente, e completar a prova. Ela hoje diz que naquele dia havia começado a maratona de Boston como uma menina, e a terminou a como uma mulher.

Kathrine decidiu que a partir daquele dia seria uma atleta de verdade, e dedicaria sua carreira a incentivar mulheres a experimentar as sensações que ela viveu naquela corrida em 1967. A sensação de vitória e de que nada é maior que o seu sonho, e que se você acreditar nele o universo conspirará ao seu favor, mesmo se você for do sexo frágil (to sendo irônica aqui tbm). =P

Kathrine participou de 35 maratonas e venceu uma delas, em 1974 em Nova York.

Curiosidades:

  •  A Maratona Anual de Boston é a mais antiga do mundo
  •  A primeira mulher a completar a corrida foi Roberta Gibb, em 1966. Ela correu a Maratona escondida e não tinha um número de peito.
  • Somente em 1972 mulheres foram oficialmente autorizadas a participar da prova.

(Fonte: Boston Athletic Association).

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