No finalzinho do ano passado, contei para vocês sobre o Breaking2, um projeto especial da Nike para tentar não apenas quebrar o recorde mundial da maratona, como completar a distância abaixo de duas horas.

A princípio, a gente só sabia quem seriam os atletas que tentariam esse feito histórico: Lelisa Desisa (Etiópia), Eliud Kipchoge (Quênia) e Zersenay Tadese (Eritreia). Também estava claro que a busca pelo Breaking2 não aconteceria em uma prova oficial, mas em uma data e local especialmente escolhidos, considerando fatores como temperatura, vento, terreno etc…

A marca dedicou muito tempo e esforços para definir onde e quando o Breaking2 iria acontecer. Pois agora esse mistério acabou! A primeira tentativa oficial da Nike será realizada no primeiro fim de semana de maio (não sabemos ainda se no dia 6 ou 7), no complexo do Autódromo Nacional de Monza, na Itália!

Autódromo de Monza, na Itália (Divulgação/Nike)

Segundo a equipe multidisciplinar que a Nike montou especialmente para o Breaking2, o Autódromo de Monza oferece todas as condições ambientais e técnicas necessárias levando em consideração, entre outras coisas, os seguintes fatores:

  • O céu é normalmente nublado, minimizando a carga de calor nos corredores;
  • Temperatura amena, oscilando em torno de 12 graus Celsius;
  • Pressão do vapor, que é menor do que 12mmHg;
  • Correntes de ar não apresentam mudanças de direção drásticas, uma vez que o percurso está situado ao largo da costa e no meio de muitas árvores;
  • Falta de declives, o que proporciona um piso limpo e uniforme em todo o circuito;
  • Extensão da volta com 2,4 km, o que permite a gestão perfeita de ritmo, hidratação, nutrição e transições da equipe de apoio;
  • Layout da volta e tipo de terreno também atendem aos critérios essenciais para otimizar a tentativa.

Definidos data e local, é claro que não poderiam faltar também os equipamentos!

Após estudos minuciosos de engenharia e design de produto, a Nike criou um novo tênis conceito, que será utilizado pelos três atletas na tentativa da quebra do recorde – o Nike Zoom Vaporfly Elite. Mas nem adianta cobiçar porque esse tênis não será vendido, apenas suas versões “inspiradas”. Algumas inovações, como a estrutura e a nova entressola ZoomX, foram introduzidas em dois novos modelos de corrida que chegam às lojas no dia 8 de junho: o ZoomFly e VaporFly 4%.

É o mais perto que poderemos chegar dessa tecnologia, pelo menos por enquanto! 😉

E não só o tênis será ajustado individualmente, como todas as peças de vestuário que serão utilizadas pelos atletas, da regata às meias. Dados do corpo de cada um deles foram digitalizados para oferecer ventilação, compressão e comprimentos exatos.

Sim, parece que eles pensaram em tudo e não deixaram escapar um detalhe sequer!

A corrida será apenas para convidados. Do Brasil, a Nike está levando duas mulheres para acompanhar de perto: a Valery Mello e a Isabella Lopes. Muito legal, né? Achei ótimo serem duas mulheres, hahahaha… (Bora, mulherada!)

Isabella e Valery, as brasileiras escolhidas pela Nike para ver o evento de pertinho! (Reprodução/Instagram)

Embora o evento seja fechado para o público, a Nike vai transmitir tudo ao vivo pelos seus canais nas redes sociais, tanto os preparativos antes da corrida como a tentativa em si. A transmissão será apresentada pelo jornalista norte-americano Sal Masekela e vai incluir comentários de atletas profissionais – alguns nomes cotados são Carl Lewis, Paula Radcliffe e Joan Benoit. Só fera! 😉

Será que eles vão conseguir de primeira? Claro, tem muito treino, muito estudo e muita tecnologia envolvidos, mas que dá um frio na barriga… Dá, né?

O que vocês acham? Contem nos comentários!

Uma das coisas mais legais que o Corre Mulherada nos trouxe foi a possibilidade de conhecer tantas mulheres incríveis, que nos inspiram todos os dias e que acabaram se tornando grandes amigas… E a Gabi Delgado é uma dessas pessoas especiais!  

A Gabi já contou aqui no blog como começou a correr. Agora, ela volta para dividir com a gente a experiência de ter participado da Volta à Ilha 2017, uma das provas de revezamento mais tradicionais do país, que aconteceu no último dia 8 de abril. 🙂

***

Eu não sei precisar a data mas, ainda em 2016, fui ‘avisada’ pela minha ‘best’ que eu estava inscrita e intimada a correr a Volta à Ilha 2017. Nesse momento, as pernas tremeram, eu não conseguia nem responder, só conseguia pensar: Fo%$u! Aqueles que acompanham as provas de longo percurso sabem muito bem como é essa prova: 140 km com revezamento, em grau de dificuldade absurdo! Lá fui eu montar as estratégias com meu professor e dei início aos treinos. Foi aí que tudo começou.

Eu, particularmente, não sabia o que esperar da prova. Ouvia muitas coisas a respeito da Volta, mas realmente não fazia ideia do que me aguardava lá em Florianópolis. Foram meses de reuniões em equipe, instruções, planejamento dos trechos a serem percorridos…. Mas, como tudo que acontece às vezes não sai conforme o planejado, acordei doente na semana que antecedia a prova. Gripe, garganta inflamada e uma tosse horrorosa. Logo na segunda-feira, procurei um pronto socorro e expliquei a situação para o médico. Fui medicada e afastada do escritório, trabalhando apenas de casa para não ficar exposta ao ar condicionado para que meu quadro de saúde não apresentasse piora. E assim seguiu até a sexta-feira, dia do embarque para Florianópolis.

No sábado, ainda com tosse, dificuldade para respirar e um certo mal-estar, partimos às 4:30 da manhã para o local da largada, que aconteceu para a minha equipe de 8 corredores às 5:15 da manhã. Largamos! 17 trechos totalizando 140 km divididos em 8 corredores.

Sinceramente, só tinha fera correndo na minha equipe. Maratonistas experientes, atletas de triathlon, ou seja, só gente com currículo de dar inveja a muitos. Eu, uma mísera corredorazinha de final de semana, acima do peso, em condições de saúde não tão boas assim, “naqueles dias”, não sabia nem o que estava fazendo ali. Mas, como diz meu professor Eduardo Barbosa, missão dada é missão cumprida! Então lá fui eu para o trecho 3 da prova, Santo Antônio/Sambaqui até a praia da Daniela, 8 km de calçamento, barro, lama, pirambeira, subidas, descidas… Tinha até um trecho onde precisamos fazer uma travessia de barco.

Peguei o revezamento mais ou menos às 7 da manhã, debaixo de chuva. Esse trecho, embora classificado como moderado, foi de uma dificuldade extrema para mim. Corri 2 desses 8 km em um pedaço deslumbrante de praia, porém com certa dificuldade, mesmo correndo mais próximo ao mar, onde na teoria a areia é mais consistente. Com o dia já claro, dava para ir admirando a paisagem maravilhosa do litoral, amenizando o sofrimento da prova.

Depois do litoral, seguiram alguns trechos de barro e lama no meio da mata em uma estrada de terra. Por causa da chuva, havia muitos buracos. Todo cuidado era pouco para desviar das poças que poderiam ser buracos fundos em potencial, e nas descidas mais cuidado ainda para não escorregar e se machucar, pois mais para a frente eu ainda teria um trecho de 10 km no percurso 14.

Terminado o trecho de estrada de terra, transformada em lama, cheguei no ponto da travessia de barco. As opções eram banana boat ou lancha. Preferi atravessar para o Portal da Daniela de lancha pensando em não ficar exposta ao frio, já que chovia bastante e, na lancha, estávamos mais protegidos do vento direto no peito, ao contrário do banana boat, onde tomaríamos toda a chuva e mais vento, desaquecendo o corpo, causando um choque térmico quando voltássemos a correr.

Travessia feita, era só botar mais 2k na areia e entregar o trecho para a amiga que faria a sessão 4, largando da Praia da Daniela. Pela dificuldade do percurso, meu professor estimou que eu terminaria os 8k em 1 hora. Entreguei com 58 minutos. Me senti a Mulher Maravilha e fiquei toda orgulhosa ao passar a pulseira para a corredora do quarto trecho.

Entre os trechos 4 e 14, foram horas de espera e correria nos carros, ajudando na alimentação e hidratação dos amigos que estavam se preparando para os próximos trechos… Então, o cansaço foi batendo sem dó nem piedade! Rodar Florianópolis de carro, em um calorão que pegou ao longo do dia depois de muita chuva, se preocupando com o resto da equipe e de simplesmente não dar tempo de chegar no trecho seguinte antes dos corredores foi causando, ao longo do dia, um cansaço mental muito grande.

Consegui almoçar entre 2 e 3 da tarde, enquanto esperávamos a corredora que chegaria na Praia da Joaquina. Dali a quatro trechos seria a minha vez novamente, então me troquei e fiquei pronta, esperando. Quando partimos para a Praia do Arrastão, onde receberia a pulseira para o trecho 14, eu estava bem cansada. A essa altura, já tossia muito devido à gripe.

Peguei a pulseira da Luana e parti para correr os primeiros 2,5 km na areia fofa. Até tentei, mas os pés se enterravam na areia de uma forma que era impossível, para uma corredora no meu nível, correr naquela situação. Trotei… Ainda teria pela frente mais 7,5 km de asfalto, praia e rodovia.

Os trechos de rua e/ou rodovias não são interditados durante a realização da prova, então corremos 100% do tempo buscando espaço entre asfalto, calçamentos, guias, calçadas e sarjetas. Lá fui eu para mais 7,5 km de asfalto entre subidas intermináveis, curvas, carros passando em velocidade alta, motoristas buzinando para os corredores e pessoas olhando pra gente com cara estranha de “Que povo maluco! Eu, hein?”.

Faltando 1,5 km para acabar meu percurso, voltei novamente para a praia quando pensei: Não vou conseguir! Para minha alegria, a areia desse trecho era batida, o pé não afundava, mas já muito cansada, eu corria num pace pra cima de 7 minutos. Prossegui tossindo, com cólica e preocupada porque a pessoa que entregaria o Morro Maldito faria um trecho tão temido à noite. Pensei em andar, desistir… Chorando, fui me arrastando até que vi um atleta correndo o percurso ao contrário. Epa, peraí, é uma camiseta da minha assessoria!

O Guinther, um dos atletas da minha equipe que pegou o pior trecho da prova, voltava em sentido contrário para me buscar. Eu estava estourando o tempo de troca no posto 15, iríamos ser desclassificados, mas ele voltou 1,5 km em um pace de 4 minutos para me puxar. Eu já não conseguia enxergar mais nada, o suor se misturava com as minhas lágrimas. Eu o segui por mais 1 km num pace de 5 para menos, acredito eu. Mas, para o meu azar, quando chegamos o posto de troca já estava fechado. Outras duas corredoras do carro 2 também estavam me esperando.

Cheguei desanimada, engolindo choro, passando mal, com falta de ar, dor, tosse, branca. E muito chateada mesmo, pois havia comprometido o tempo da minha equipe. O trecho que estava previsto para completar em 1 hora, cheguei com 1h20m, e a corredora que faria o Morro Maldito já havia relargado.

Não sei se para meu alívio ou minha decepção, terminava ali minha primeira participação na Volta à Ilha, com o risco de ver minha equipe ser desclassificada. Fui atendida no carro mesmo, hidratada. Para nossa sorte, de 8 participantes da equipe, só eu não era da área da saúde. Além do Eduardo Barbosa, meu professor, os demais ou eram médicos ou eram dentistas, então estava em boas mãos.

Os corredores do meu carro decidiram não avisar ao carro 1 sobre o tempo que eu fiz naquele trecho e de que corríamos o risco de ser desclassificados, então só avisamos da minha chegada e da largada da corredora do trecho seguinte para não causar desconfortos na equipe. Ainda faltavam mais 2 largadas. Fomos para a chegada, onde esperaríamos a outra parte da equipe para finalizar a prova. Cruzamos a linha de chegada às 20:26, largando às 5:15 da manhã.

Ao sair o resultado durante a semana, não fomos desclassificados. Como diz minha best, #ChupaMundo. Ficamos em 168º lugar, com o tempo de 14h51m37s.

Eu poderia ter ajudado mais a minha equipe. Me senti muito mal por ter ficado doente às vésperas da prova. Me senti chateada, culpada e sem muito o que poder fazer. Muitas vezes, durante a semana, pensei em desistir, em não embarcar. Mas seria uma falta de consideração monstra se eu tivesse feito isso. Ganhei a inscrição de uma pessoa que é uma das mais importantes da minha vida, que sem querer ou querendo, me proporciona momentos incríveis! Quando acho que tudo está meio sem graça, vem ela e bota cor… Juliana Bueno, eu fiz o que pude, me esforcei ao máximo, dei o meu melhor. O meu primeiro e melhor trecho foi para você, para saber que eu, no mínimo, vou tentar não te decepcionar nunca. Obrigada por essa experiência incrível, acreditando em mim com tanta gente fera correndo junto. Obrigada. Obrigada, jamais saberei agradecer.

Resumindo, foi uma prova muito, muito difícil, mas missão dada é missão cumprida. Fui lá, corri os 18k que me foram atribuídos, com dor, com chuva, com tosse, com pirambeira, areia fofa, água, mar, sol, com tudo e todos os sentimentos possíveis e imaginários. Corri com atletas muito experientes, literalmente com gente grande. Dei o meu melhor, mesmo doente, mesmo desanimada, mesmo naqueles dias, mesmo com tudo isso. E mesmo que não fosse no rosto, corri com um sorriso no meu coração.

Gostaria de agradecer pelos momentos incríveis à minha equipe EduRun Off Road: Eduardo Barbosa, Camila Andrade, Camila Redondano, Marianne Sobral, Guinther Badessa, Luana Maris, Juliana Bueno. Obrigada pelo incrível final de semana que vocês me proporcionaram. Equipe forte, composta por 6 mulheres pica das galáxias, que não deixaram a peteca cair. Fomos mais que mulheres maravilha! Fomos a base, o sustento e a alegria da prova!

Ah, e só para dar um toque a mais, no segundo e mais difícil trecho, levei o #CorreMulherada comigo, como sempre, e em todas as provas!

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