Pedimos para as meninas que participam do nosso grupo do Facebook contarem um pouco mais sobre a sua história com a corrida e convidamos duas delas para participar da etapa São Paulo da ASICS Golden Run, que aconteceu no último domingo, 4 de junho. A Fernanda Barracho foi uma das contempladas e, neste Corrida da Leitora, conta pra gente um pouco mais sobre a prova e como começou a correr. 😀

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Há 4 anos, eu era uma pessoa sedentária, sem motivação alguma para exercícios físicos. Mas ela apareceu quando um parente indelicado me disse que eu estava “fortinha”. Então, decidi acompanhar minha irmã numa corridinha leve. Passei mal, jurei que não ia mais correr, que não era pra mim… Alguns meses depois, meus primos me convidaram novamente e resolvi dar mais uma chance para a corrida. Comecei a treinar, a aumentar os desafios e hoje me considero corredora!
Há muitos anos eu não tinha algo tão meu, que eu não abro mão, que me faz sentir determinada, focada, viva, capaz de superar limites, medos. E quando vem a dor… pensar em não poder correr é desesperador. A força vem! Nem mesmo um joelho lesionado, uma canelite aguda e uma tendinite patelar me tiraram o amor pela corrida.
Você faz o que for preciso pra estar nas pistas. Não é fácil manter um ritmo de treino, fortalecer, recusar convites de festa porque tem corrida na manhã seguinte, voltar cedo daquele aniversário, acordar de madrugada pra treinar… Dormir até tarde pra quê? A cada corrida, temos uma nova emoção, um novo desafio, a sensação de empoderamento. Faça chuva, faça sol, haja dor, haja o que for… Eu quero correr! A corrida é o meu momento de ser melhor, de me superar, seja só um treino no parque ou uma prova. O importante é o movimento, correr, correr…
Quando corremos, temos sonhos. Sonho de correr mais, ou de correr em algum lugar, na praia, na montanha, em outro país…. E domingo, 04/06, foi a realização de um sonho: correr pelo meu ouro na melhor meia maratona do Brasil! Fiz a minha segunda meia na Asics Golden Run e foi simplesmente sensacional!!!

Toda magia desta corrida começou no dia 25/05. Sim, isso mesmo, somente 11 dias antes da prova soube que fui escolhida para realizar os 21k de ouro. Fui presenteada pelo Corre Mulherada com a inscrição dessa belíssima prova e, apesar dos treinos, não sabia se estaria preparada para completar todo o percurso devido a uma lesão recente na tibial.

Todo o espaço montado para a retirada do kit estava incrível e já indicava a emoção que nos esperava na corrida. Tinha um painel gigante com o nome dos atletas, simplesmente lindo! E encontrar seu nome lá dá aquela acelerada no coração: é a confirmação de que você faz parte de tudo isso. Desafios para os super atletas, espaços de massagem, loja exclusiva da Asics para aquelas comprinhas de última hora… O kit estava muito legal, e adivinha o que tinha nele? Bandagens Elásticas IcyHot Dorflex – para mim, a confirmação que essa seria uma ótima corrida, pois poderia usar nas canelas que estavam com a lesão, e eu nem conhecia esse produto maravilhoso!

E então chega o dia, a corrida pelo ouro… Ahhh, que sonho! Eu sabia que não seria desta vez que estaria entre os Top 100, e não estive mesmo. Mas meu ouro foi pessoal e conquistado: correr por importantes vias de São Paulo, para mim um percurso inédito, foi um contraste de liberdade e de vida em meio aos grandes e imponentes prédios da JK, ao habitual trânsito de veículos, a loucura e pressa dos paulistanos que mal percebem a beleza da cidade… E o que eu senti? Somente o emocionante som das pisadas, cada atleta no seu pace, no seu desafio, preenchendo o silêncio do amanhecer da cidade.

A corrida foi linda! Muita emoção, uns correndo pelo ouro, outros preparados para o pódio, outros curtindo a corrida ao máximo, tranquilamente, se divertindo e querendo apenas chegar lá, na linha final, nos 21k.

A organização foi muito boa, deu condições para completarmos a prova. Claro que sempre há algo que poderia ser melhor, como alguns pontos de água que fizeram falta nos kms finais. Mas a animação durante a prova fez diferença, deu energia extra para quem poderia estar com a bateria fraquejando. Quem não se empolga com uma banda incrível no meio do percurso? Quem não se delicia diante de um refreshing point lá pelo km 15 pra dar aquela refrescada nos atletas? É o que torna cada corrida única, o detalhe, o entretenimento, a preocupação com o bem-estar do atleta, tanto físico, quanto emocional. E eu corri o tempo todo assim, energizada por essa vibração positiva ao longo do percurso. Meu pace não caiu, mantive até o final a mesma energia e me senti TOP!!!

E a chegada? Não poderia ser mais emocionante, muito animada, marcante! Avistá-la é como ver realmente o pote de ouro: a sua conquista e o seu desafio estão ali, te esperando, e o que preenche cada espaço dessa linha são os sorrisos, o choro, o pulo, o grito, a vibração de cada um que passa por ali; A minha chegada foi assim, com pulo, com grito, com emoção! Muita emoção!!! Minha segunda meia, e a melhor.

Resumindo, como disse no começo, SENSACIONAL!!!!!

Amei correr a Asics Golden Run e esta Half Marathon já entrou para o meu calendário de corridas preferidas. Recomendo a todos os corredores que corram a Golden pelo menos uma vez na vida, todos podem correr pelo ouro. Quem não quer superar seus limites? Essa é uma grande chance de conquistar uma medalha por ser TOP 100. Ou, simplesmente, curtir o percurso e comprovar que a corrida é uma paixão que vale muito a pena!

A Corrida da Leitora é um espaço para compartilhar histórias, conquistas, superações, dicas e muito mais! Quer participar? Preencha o formulário e entraremos em contato.

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

É com essa frase do Pessoa que começo meu ultimo post como parte da Equipe Corre Mulherada. Chegou a hora de eu encerrar um ciclo e partir para outra etapa da minha vida. Obrigada a todas vocês pelo carinho e atenção comigo e com esse filho que ajudei a criar e vi crescer muito rápido e um obrigada a todas as meninas do Corre Mulherada por esse um ano e meio de aventuras. Sucesso, sempre!

Bom, depois de tanto falar aqui e aqui sobre a ansiedade da minha primeira meia maratona, hoje venho contar como foi passar por essa experiencia. E preparem-se para um mega texto, muitas fotos e talvez um relato bem diferente do que vocês estão acostumadas a ler sobre ~experiencias de iniciantes em meia maratona~.

Sexta-feira logo após o almoço, eu, meu noivo Bruno e a Denise (uma amiga maratonista aqui de Rio Verde) pegamos a estrada rumo à Brasilia. Chegamos em Brasilia umas 19:00hrs e –  foi nessa hora que ‘tudo‘ começou – porque completar uma meia maratona foi apenas parte do que passei nesse final de semana. Encontrei MUITA gente querida que conhecia apenas pelo instagram, reencontrei amigas que amo (oi Beta, Amanda e Erica) e fiz novos amigos. Acho que umas 100 pessoas que conheço estariam nessa prova (algumas no mesmo ‘Hotel da Beta‘ que me hospedei). O final de semana foi de encontros, almoços, jantares, risadas, sorrisos, lagrimas e muitos abraços apertados.

Sábado cedo fui ao aeroporto buscar a Erica e o Julio, que vieram de São Paulo só pra me ver correr <3. De lá,fomos direto retirar o kit na Expo Golden Four –  quando vi o famoso “ASICS 21k”, minhas pernas balançaram. Era real, tinha chegado o dia que sonhei e planejei durante dois meses.

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Como estava inscrita na categoria imprensa, não tive problema com filas e ainda fui super bem atendida pelo querido Rodolfo da Mktmix. Depois retirada da pulseira de marcação de Pace e kit lanche (pão, suco e barrinha).

Outros atrativos da Expo eram a pista de corrida/tiro, massagem, painel para fotos (que iriam direto para o facebook através do app da ASICS), personalização gratuita da camiseta (a fila era enorme e nem arrisquei), palestras com profissionais da corrida, teste de pisada (que estava aceitando apenas agendamento na hora que passei por lá) e a  loja da Asics, que na hora que passei por lá (umas 11:30) já não tinha mas numerações de algumas roupas femininas. #chatiei

Não queria passar o sábado batendo muita perna, almoçamos e depois encontramos amigos em um encontrão no Cocobambu. Em seguida voltamos para descansar no hotel.

O jantar foi em um rodizio de massas, há pouco tempo tenho incluído essa rotina de jantar massa antes dos longões e tem funcionado muito (porque eu era loiraburra e só jantava salada pra não ‘pesar’ no dia seguinte. Ok ainda sou loiraburra, mas já sei comer massa antes de treino/prova), apesar de o jantar estar cheio de pessoas legais e o papo muito bom fomos embora logo pra conseguir dormir cedoerror . Até deitei cedo, mas a cabeça não parava de pensar. Levantei umas duas vezes e em uma delas lembrei que precisava lavar minha polaina de compressão que tinha uma mancha de terra que passou batida na ultima lavagem. PENSA na ansiedade da pessoa lavando polaina na pia do banheiro, tarde da noite.

Às 4:50 o celular desperta: chegou o grande dia! Já tinha deixado as roupas separadas, foi só vestir no modo zumbi, terminar de me arrumar e descer para o café com a galera. O dia amanhecia nublado do jeito  perfeito que gosto de correr –  chegou até a garoar em alguns momentos.

A largada estava programada para as 7:00hrs. Chegamos lá umas 6:45, resolvi ir ao banheiro e a fila estava enorme, eu tinha 10min pra conseguir ir no banheiro, tava nervosa e foi me dando uma dor de barriga de ansiedade. Mas deu tudo certo. Consegui fazer xixi faltando 5min pra largada e enquanto procurava a área do meu pace já tomava o gel, toda atrasada e foi sem água mesmo! Foi o tempo de eu e Bruno entrarmos na nossa área  (que era a última hahaha) que foi dado o sinal da largada.

Não deu tempo de pensar, meditar, de ficar nervosa, nem nada. Quando passei pelo pórtico vi a Erica me fotografando e nessa hora caiu uma lagrima (uma das poucas do final de semana). Eu estava ali largando para a prova que, repito, havia sonhado, planejado e sofrido durante os últimos 2 meses. Não queria que o tempo passasse, queria curtir muito. Desliguei e fui.

Pausa para uma historinha: Uma vez quando fui saltar de paraquedas, tentei não focar no salto e nem na subida do avião, pensei em milhões de coisas menos no salto em si. Na hora que a porta do avião abriu eu não consegui pensar em nada, me deu um branco e quando saltei eu só queria que aquele tempo durasse muito para que eu pudesse curtir muito, só conseguia focar no ‘ali e agora’.

6ccda22e74c64fe29f712641f66e8bc2E na prova também foi assim. Apesar de ter ficado emocionada com a Erica na largada, depois minha cabeça desligou, só conseguia pensar naquilo ali que estava acontecendo naquele segundo. Pra ser bem sincera não consigo nem lembrar do percurso dos primeiros quilômetros. Lembro que encontrei a Thais  perto do km 3, corremos um pouco juntas e parti. Do km 4 ao 9 não vi o tempo passar, desci o eixão admirando todo mundo subir e cada amigo que passava eu gritava o nome. Foram 6 km olhando para a outra pista, sorrindo, gritando, acenando e fazendo Hi5. Já estava quase no meio da prova e não tinha visto o tempo passar. Me programei para tomar a primeira parte do gel no km9 (era uma versão grande) – só que na empolgação tomei quase inteiro, o que resultou no inicio de uma dor de barriga. Tentei mudar o foco e a dor de barriga virou uma dor de lado (acho que acabei  tomando muita água com o gel). Corri por mais um km e decidi caminhar pra aliviar a dor. Essa subida do eixão (do km9 ao km15) demorou uma eternidade, com dor de barriga, dor de lado e cadarço desamarrado – eu só conseguia pensar no quanto estava lenta. Foi sofrido, estava entediada!

Pausa para o elogio: A organização da prova foi perfeita! Sete pontos de hidratação com água e gatorade, banheiros e dois pontos de distribuição de gel de carbo.

No km15 era a hora da segunda parte do gel (que tinha sobrado só um pouco) e também a hora de ficar feliz. Era a ultima parte da prova e o percurso passava pela Catedral metropolitana, esplanada dos ministérios, palácio do planalto e o congresso nacional (e eu só rezando pra ter um fotografo da Asics, pra eu sair em uma daquelas fotos lindas em um cartão postal, mas como boa tartaruga que sou, os fotógrafos já tinham ido embora).

Na descida dos kms finais me distraí com um evento que rolava com os guardas da Dilma atrás do congresso. Foi em um piscar de olhos que estava no km19, e vi alguns corredores já com a medalha no peito. Meus olhos brilharam: era a maior medalha que eu já tinha visto na vida!

De repente, vi minha amiga Amanda vindo na direção contraria, chegando ao meu lado e fazendo a volta imitando um avião ScreenHunter_588 Nov. 19 15.54com os braços abertos. A pessoa, depois de correr super forte, lembrou da amiga tartaruga que poderia estar precisando de um puxãozinho extra nos kms finais (e ela acertou!), me mandou correr mais rápido eencontramos Camila e Synesio mais frente. Estava tão focada que não esperei ninguém (que amiga lixo me senti!).

Ofegante,ouvi a Amanda gritar: “Tá vendo ali aquela placa? Faltam só 500mts, continua assim que falta pouco!”

Passaram as placas dos 400mts, dos 300, dos 200 (alô Fernanda, era nessa que vc se escondeu!) ouvi uma outra amiga que estava na chegada gritar meu nome, eu estava na reta final e olhava para todos os lados pra ver se encontrava meu noivo, a Erica e o Julio. Ouvi mais um amigo (Bernardo) gritar meu nome e logo depois dele estava o Bruno me filmando e gritando: CORRE MULHERADA!!! Mais alguns passos e pisei no tapete tão esperado!

Meu relógio marcou 2:21hrs, 5 minutos além do que meu treinador havia me mandado na estratégia. O que é mesmo pace e tempo de prova pra estreia na meia maratona? Não sei! Eu já havia corrido de 20 a 22km nos quatro finais de semana anteriores, já sabia o que era a distância – só queria curtir os 21km , só queria matar a saudade de toda aquela vibe de uma prova. E foi assim que aconteceu.

Antes de fazer essa prova, os amigos mais experientes me falaram que iria passar um filme da minha vida na cabeça, que eu iria me emocionar e chorar horrores na chegada. Mas como desde pequena eu sempre gostei de ser diferente, o que aconteceu? Não passou filme nenhum e eu não chorei quando cheguei. Em todas as fotos que sai estou com o sorriso no rosto, larguei sorrindo e cheguei sorrindo. Estava feliz e anestesiada demais para chorar, só queria uma água  (e uma cerveja) e abraços do Bruno e da Erica.

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Cheguei BEM cansada, minha virilha e joelhos doeram. Depois dos abraços e hidratação, fui encontrar mais amigos na super festa que estava rolando nas tendas da Morgana e Next Run. <3

Eu sei que o texto ficou BEM longo, mas não posso encerrar antes de agradecer primeiramente ao Bruno, por ter abraçado a ideia de fazer essa meia com tão pouco tempo pra treinar e me acompanhar em todos os treinos. <3 A Erica, Lygia  e Beta por ouvirem minhas reclamações e conquistas. Amanda e Morgana, que me convenceram a correr os 21 em vez de ir só pra fazer 10 na pipoca. Ao treinador Celso da GO Personal, que aceitou a loucura de me treinar nesse tempo curto, me alertou sobre tudo, aguentou minhas chatices e meus cansaços e sempre estava lá me mandando emoticons no whatsapp. E a Mktmit e ASICS (desculpaê Rodolfo por não ter te procurado depois da prova) pela oportunidade de correr a Golden Four, no dia que fui fazer minha inscrição elas já tinham sido encerradas, e não fosse a ajuda de vocês eu não teria conseguido. <3

É isso, que venha 2015 com muitos 21k pela frente.

Um beijo e até breve. <3

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