Hoje temos um relato super inspirador aqui no blog! Neste Corrida da Leitora, a Monique Queiroz, de São Paulo (SP), conta como a corrida a ajudou a eliminar 20 quilos e recuperar sua saúde.

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Minha história com a corrida

Por Monique Queiroz

monique-circuito-do-solMonique arrasando no Circuito do Sol 2014

Me chamo Monique Queiroz, tenho 22 anos e trabalho em uma rede de fast food árabe. Minha maior paixão hoje é a corrida, gosto de sair por aí sem rumo para correr.

Sempre fui uma pessoa ativa, sempre pratiquei exercícios e sempre fui magra. Comia tudo o que queria sem o menor problema. Mas minha vida começou a mudar quando comecei a estudar e trabalhar. A rotina mudou e a prática de exercícios foi interrompida. Comecei a comer muito. Ter uma barra de chocolate na gaveta para comer inteira depois do almoço era lei. Resultado: 25 quilos a mais na balança em um ano!

Quando me dei conta, a balança marcava 70 quilos — o que, pra quem tem 1,56 m de altura,  é muita coisa. A coisa desandou e eu chorava por não entrar em uma calça jeans, tudo ficava apertado. E o resultado era comer mais chocolate e mais pizza…

Um dia, fui convidada para um aniversário de 15 anos e o tema da festa era “mulheres de vestido”. Saí à procura de um vestido que não me deixasse com cara de grávida ou parecendo um balão. Nada servia! Encontrei vestidos incríveis e me lembrava da época em que era magra, pensando como ficaria linda em um deles. No fim, saí com um vestido horroroso da loja, porque era o que me servia. No dia da festa, lá estava eu com o bendito vestido quando fui chamada para tirar uma foto com a aniversariante. Posei como quem não quer nada, com várias coxinhas e o copo de refrigerante na mão. Uns dois meses depois, a aniversariante postou as fotos da festa e, quando vi a minha, quase caí dura no chão. Eu estava sem forma, infeliz com meu corpo… Sabia que aquela não era eu.

Cansada da pressão da família com relação ao meu peso, e de deixar de lado a minha própria saúde, resolvi fazer uma geral com uma endocrinologista. Resultado: glicose estourando, colesterol altíssimo, pedra no rim… Tudo estava errado por dentro também. Eu estava com 90 cm de cintura e 29 de IMC, o que é muito perigoso. Quando a médica falou “você quer morrer aos 50 anos?”, comecei a chorar.

Saí da clínica naquele dia com outra cabeça, decidida a MUDAR por mim e pela minha saúde. Dei início a uma nova vida, comecei a correr e mudei toda a minha alimentação. Lembro que, nos três primeiros meses, fiquei sem comer uma besteira sequer, foi estressante para mim. Foi quando o bicho da corrida me picou de vez!

Comecei caminhando na esteira da academia do meu prédio, quando deu a louca e fiz minha inscrição para a Disney Magic Run 10k. Sim, eu estava louca! Encarei os treinos, que eu mesma fazia sozinha de domingo a domingo, e completei a prova em 1 hora e 17 minutos. Fiquei tão orgulhosa de mim mesma que não parei! Com alimentação e corrida, em um pouco mais de três meses já tinha eliminado oito quilos. Não parei de fazer minhas trocas de farinha branca por integral, frutas, água e, em 10 meses, eliminei 20 quilos, ou seja, 2 quilos por mês. Refiz meus exames e, adivinha? Tudo normal, até melhor. Tudo funcionando certinho! Perdi 16 cm de cintura.

 

monique-antes-depoisMonique em março de 2013 e um ano depois, com 20 quilos a menos. Parabéns!!

Sinto-me orgulhosa porque achei que não tinha mais saída. Não quero morrer de algo que posso evitar. Morrer porque estava comendo uma barra de chocolate por dia não vale a pena. Lutei por mim, passei estresse, mas hoje sou a pessoa mais feliz comigo e com o mundo. Dou umas escorregadas, mas vou pra esteira e queimo tudo. Hoje, dou força pra quem quer ter uma vida saudável. Quem quiser, pode me seguir no Instagram e acompanhar toda a minha jornada.

Um beijo e sintam-se todos abraçados!
Monique

 

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Neste ano, estreamos no blog a categoria Corrida da Leitora. Adoramos receber histórias e saber mais sobre o processo de corrida de vocês. Também somos inspiradas pelas histórias e os feedbacks que recebemos. <3

A Nadja Moraes começou a correr há pouco tempo e passou a escrever sobre o seu processo de corrida. Ela é de São Paulo, sua profissão é palhaça e ela treina com um grupo de corrida na cidade em que mora atualmente, que é Sorocaba. 🙂

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Não nasci pra isso ou… Meu primeiro dia de atleta

por Nadja Moraes (palhaça, escritora e aspirante a corredora)

 

corrida_nadjaNadja na sua primeira corrida

Começou cedo. Acordei e pensei: “É hoje. É hoje o treino. Não estarei sozinha, estarei com pessoas experientes e… Velozes”.

Como me senti? Como um condenado? Como uma criança prestes a preparar a mochila para a excursão? Como um apaixonado antes de seu primeiro encontro? Talvez todas as alternativas. Ou somente como uma pré-gordinha (existe esse termo?) prestes a fazer algo totalmente apavorante para seu atual estilo de vida.

Se existe pré-obeso, por que não existe pré-gordinha? Deixe-me explicar: dependendo do ângulo, pareço até magra, mas sempre tem uma banha pulando da costura da calça e uma bochecha querendo aparecer mais que o resto do corpo. E agora, prestes a chegar aos 30 anos, noto coisas que não notava antes: celulite, flacidez, papada… Medidas aumentando depois de um mísero fim de semana regado a pizza e coca-cola.

Resumindo, se continuar comendo o que quero, é um passo para começar a usar a cinta “emagrecedora” – ou cinta “enganadora”, como muitos dos meus amigos dizem.

Sempre fui ativa. Sempre gostei muito de dançar, de fazer qualquer coisa que não fosse ficar parada, até mesmo aulas de circo e longas caminhadas (por livre e espontânea vontade). Mas correr simplesmente estava fora de questão. “Não sou esse tipo de pessoa” – sim, pensava exatamente como a maior parte da população (como se corredores tivessem nascido em uma forma especial… Será?). “Consigo caminhar horas, mas correr nem pensar” – de novo o pensamento de “não-nasci-para-isso”. E o mais preguiçoso e honesto argumento de todos: CORRER É CHATO!!!

Sempre foi. Era chato quando eu era a última a ser escolhida nos jogos de futebol ou basquete da escola por não conseguir correr. Ou quando nunca soube de verdade porque as pessoas achavam divertido brincar de pega-pega, sendo que eu não conseguia nem dar um passo antes de ser pega. Ou quando brincavam de bobinho, e eu era o bobinho eternamente. Ou em todas as vezes em que ouvia meu peito chiando e me sentia incapaz de dar mais um passo sequer. Fui aquela pessoa a vida toda, AQUELA… a café-com-leite!

Não conseguir correr quando precisamos nos faz sentir um pouco idiotas. Confesse.

Dito tudo isso, por que decidi começar a correr?

Porque eu vi. Aliás, eu senti a fagulha. Aquela que surge quando não se espera e está lá, apesar de tudo, mesmo que você pare de senti-la.

Uma vez, eu simplesmente senti, enquanto suava e pensava “não consigo mais, chega”. Senti um prazer, uma força… Como se meu corpo nunca mais fosse parar se eu simplesmente deixasse ele ser o que nasceu para ser: saudável, ativo. E não, isso não é uma ditadura, a de “ser saudável”. Ainda adoro ficar deitada no sofá vendo programação inútil, adoro comer doce e, honestamente, ainda sou sedentária e nem sei correr. Mas algo me tocou.

Algo me mostrou que existe alguma coisa tão mais forte nos nossos genes, na nossa alma, nas nossas pernas… Percebi que, só porque no início é difícil, não quer dizer que não vai ficar gostoso. Só porque não tenho o biotipo e nem hábitos de atleta, não significa que não exista um lugar para mim, exatamente como sou, ou vou me tornar um dia. Há lugar para todos na corrida.

Todos já foram os últimos a chegar um dia. O importante é que a gente chega. Uma hora podemos ser os primeiros, podemos sim! E, quando esse dia chegar, isso não vai importar nem um pouco porque simplesmente saberemos que não estamos mais sozinhos!

Nunca estivemos.

 

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