Hoje temos mais um relato internacional, de um leitora brasileira que está vivendo no Canadá. A Joyce Lins é baiana, tem 34 anos e mora em Montreal há dois anos e meio. Ela começou a correr ainda no Brasil, mas foi no Canadá que o esporte entrou de vez na sua rotina. 🙂

Nesse texto, ela compartilha conosco como foi a sua primeira meia maratona, a Banque Scotia 21k de Montréal, que aconteceu no dia 24 de abril. Parabéns pela conquista, Joyce! 😀

[IMAGEM CORRENDO PELO MUNDO CANADÁ]

Olá, meu nome é Joyce! Correr sempre foi algo muito distante para mim, mas três anos atrás, quando me matriculei na academia para perder uns quilinhos, o aquecimento na esteira virou estímulo para encarar as pistas. Também, com uma sogra ultramaratonista que encarava 24/48 horas de corrida, eu estava bem inspirada. Comecei com 5 km e, quando consegui reduzir meu tempo em 10 minutos, parti para os 10 km.

Depois de um ano parada de atividades físicas aqui no Canadá, voltei aos treinos e encarei 5 e 10 km nas ruas. Aqui corrida também é febre e até a -30 graus os corredores estão participando de provas! Mas o que eu realmente gostaria de compartilhar com vocês é a minha experiência correndo uma Meia Maratona pela primeira vez.

Joyce Lins correndo em Montreal, no Canadá (Arquivo Pessoal)

Cerca de dois meses atrás, decidi que estava na hora de encarar os 21 km. Comecei um treino específico na academia, focando em fortalecer pernas para corrida. Um mês antes da prova, um torcicolo me tirou dos treinos por duas semanas. O desespero foi aumentando! Será que eu conseguiria? Estaria fora de forma? Whatever! Recuperada do torcicolo, voltei para o treino. E não é que na semana da prova peguei um resfriado? Meus planos de treinar pelo menos 15 km antes da prova foram por água abaixo. Tudo parecia conspirar contra essa meia maratona.

Três dias antes da prova, os kits já estavam disponíveis para retirada. Aqui, não investem muito em kits, há basicamente uma sacola, a camisa e o número de peito, que já vem com o chip colado atrás. Encontramos no máximo caixinhas de suco e balinhas repositoras.

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No último domingo, 24 de abril, corri a Banque Scotia 21k de Montréal tendo percorrido a distância máxima de 11 km na vida! (risos) Fazia 4 graus e, para encarar o frio inicial da corrida, larguei com um casaco que corta vento e luvas. Aos 4 km, já estava tirando-os e o clima parecia fantástico (é incrível como nosso corpo aquece!). Logo no início da prova, já deu pra lembrar por que gosto de correr. Senti uma energia conjunta, todos indo na mesma direção, com muita garra, pessoas de todas as idades. A playlist ajudou muito. Para mim, correr é mergulhar na música, na minha respiração, sentir meu corpo e admirar a paisagem.

A prova aconteceu no parque Jean Drapeau, passando por uma linda área verde (que ainda está um pouco cinza por causa do recente fim do inverno/início da primavera) e pela famosa pista de Fórmula 1 (um retão que me assustou, mas que foi tranquilo de encarar). Havia pontos de hidratação à vontade e, em todos eles, banheiros químicos. A cada ponto, não dispensei água nem isotônico (mesmo com medo da minha bexiga me trair) e isso foi ótimo, não senti fraqueza nem sede. Foi até divertido ver alguns homens desviando o trajeto para ir ali atrás de uma moita (rs).

Brincadeiras à parte, como eu nunca tinha corrido por tanto tempo, havia passado a semana visitando blogs e lendo depoimentos de outros corredores (foi assim que conheci o Corre Mulherada!). Durante minha pesquisa virtual, vi depoimentos de pessoas que utilizavam de técnicas de meditação para incentivar o corpo a continuar a corrida nos picos de cansaço e era disso que eu tinha mais medo – desanimar, cansar, ter que andar durante a prova. Mas senti apenas uma dor na perna direita aos 11 km e, simplesmente, não dei trela; ignorei a dor e continuei correndo. Não sei de onde tirei tanto gás para seguir em frente. Foi divertido, tranquilo, excitante e apaziguador. Ao final da prova, recebi minha medalha de participação e como todos, peguei frutas, bagel, biscoito e iogurte. Achei muito bacana o papel laminado que deram para aquecermos o corpo, visto que ainda estava um pouco frio (6 graus), mesmo com sol.

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Acredito que seja este o maior objetivo do esporte: proporcionar um encontro consigo mesmo, algo aprazível, desafiador e intenso. Confesso que fiquei com gostinho de “quero-mais”, com vontade de correr de novo e desafiar a mim mesma, reduzir meu tempo, ser a minha própria competidora e – quem sabe? – me preparar para uma maratona. Vocês também sentem isso?

E por falar em intensidade, no dia seguinte à prova, tudo doía. Ainda bem que peguei o dia seguinte de folga no trabalho. Só queria cama e uma boa massagem!

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A Marilia Mitie, do @correinterior, mora em Paulínia (SP) e, a partir de abril, vai compartilhar conosco aqui no Corre Mulherada um pouco do que rola nas corridas do interior paulista, em especial na região de Campinas. 😉 Mas, antes disso, ela escreveu um relato muito bacana para a nossa coluna Correndo Pelo Mundo, contando como foi participar da Meia Maratona de Santiago no último domingo, 3 de abril! 😀

correndo-pelo-mundo-chile

Oi, meninas, tudo bom?

Sou a Marilia e hoje vim escrever sobre a Maratona de Santiago. Esse é o meu primeiro post para o Corre Mulherada e estou mega super feliz! Antes de começar a falar da prova, vou me apresentar: sou do interior paulista e apaixonada (leia-se: viciada) em correr. Conheci (pessoalmente) o Corre Mulherada na Meia de Sampa de 2014 e, desde então, converso com as meninas. 😉

Como escrevi anteriormente, participei da Maratona de Santiago no último domingo. Na verdade, fiz a meia maratona. Fui no sábado para retirar o kit e, quando cheguei na Estação Machopo, às 9h30, já tinha uma galera esperando a abertura da estação. Porém, o local só abria às 10h00. E, quando abriu, parecia que tinham anunciado um desconto de 90% – as pessoas saíram correndo (inclusive eu)!

Para retirar o kit, foi bem simples. Apresentei a inscrição e peguei a mochila com o número de peito, um chaveiro e propaganda dos patrocinadores. Com o número de peito em mãos, peguei a camiseta da corrida, que era da Adidas. Um diferencial na retirada era verificar se o chip estava funcionando; caso não estivesse, já arrumavam na hora.

Retirada do Kit – 21 km

Retirada do Kit – 21 km

Outro ponto forte foi a feira que estava ocorrendo paralelamente à retirada do kit. Tinha vários expositores (TomTom, Adidas, Gatorade, GNC Suplementos, Nike, Asics…), além de palestras sobre a relação do corpo com a corrida. Simplesmente amei e recomendo!

Estande da TomTom Estande da GNC Suplementos
Estandes da TomTom e da GNC Suplementos

O grande dia foi no domingo (03/04). Cheguei na Plaza de la Moneda (local da largada) às 6h50. O acesso foi liberado às 7h45 e a largada dos 21 km era às 8h30. A vantagem de ter chegado super hiper mega cedo foi conhecer pessoas de todos os lugares (peruanos, chilenos e brasileiros de todas as regiões). A abertura do acesso foi pontualmente às 7h45 (sério, todas as etapas ocorreram de forma pontual) e depois foi só esperar o segundo tiro do canhão (porque o primeiro era para a largada dos 42 km). Enquanto aguardávamos a tão esperada hora, através dos telões podíamos ver tudo que se passava com o pessoal que participava dos 42k.

Aguardando o tiro do canhão

Aguardando o tiro do canhão

Dada a largada, começamos a correr. Logo nos primeiros quilômetros, foi possível sentir como seria corrida, alegre e bem organizada. Os primeiros 5 km nem senti; quando vi, já estávamos no primeiro ponto de hidratação de água e Gatorade. A corrida teve quatro pontos de hidratação, um a cada 5 km. Na minha opinião, quatro pontos de hidratação foi de bom tamanho, a temperatura estava agradável, em torno de 10ºC não exigindo uma super hidratação durante a corrida, tanto que não parei no último ponto. Os pontos negativos dos pontos de hidratação foram: a quantidade de pessoas que paravam (cada ponto de hidratação que parei aumentou em média 10-15 segundos do meu pace) e os líquidos (água e Gatorade), que eram distribuídos em baixo volume e em copos de papel.

Do km 1 ao km 6, foi praticamente uma descida bem leve e deu para desenvolver uma boa velocidade. Teve um subida leve, porém longa, do km 6 ao km 16 e, durante esse trecho, passamos pelos principais pontos turísticos de Santiago, os morros de Santa Lucia e de San Cristovão. Foi bonito e legal para conhecer a cidade! Nos kms 5 e 12, tinha bandas com música ao vivo. A reta final, do km 16 ao km 21, foi uma descida bem leve, tanto que nem senti que estava descendo.

santiago21k-2016-altimetria

A altimetria da prova

Teve música no km 19 e o último ponto de hidratação no km 20. Nesse ponto, já comecei a chorar de emoção. Faltava muito pouco para terminar, sem falar em toda aquela energia maravilhosa e todo mundo se ajudando.

E, finalmente, o gran finale! A chegada foi emocionante: todas as pessoas torcendo, crianças na rua gritando para você não desistir… Foi uma das melhores experiências da minha vida. Quando passei a linha de chegada, comecei a chorar novamente (sim, sou manteiga derretida!!!)

santiago21k-2016-chegada

Depois disso foi só pegar a medalha (que ficou um pouco tumultuada), fruta (uva, maçã verde, morango e banana), água e Gatorade.

Medalha da Meia Maratona – Linda!!!!

Medalha da Meia Maratona – Linda!!!!

Na minha opinião, tudo – desde da retirada do kit até a prova – foi maravilhoso e bem organizado. Os organizadores brasileiros têm muito que melhorar e aprender com os nossos Hermanos chilenos. Digo por experiência própria, já participei de corridas famosas no Brasil (como a São Silvestre) que achei mal organizadas e em que o staff estava de mau humor.

Obrigada, meninas, pela oportunidade de contar minha história e, caso vocês queiram tirar alguma dúvida, deixem aqui nos comentários!

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