Você já participou de uma corrida rústica? No post hoje, a Cláudia Renata conta pra gente como foi correr a sua primeira prova nesse estilo na Guaranis Race, que aconteceu no dia 3 de junho no litoral norte de São Paulo. 

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Oi oi, meu nome é Cláudia, tenho 39 anos e acompanho o Corre Mulherada desde 2014, quando comecei a tentar correr no puerpério. Em 2015, participei do treino de aniversário do blog e fui picada pelo bichinho da corrida! Resolvi escrever sobre a prova que participei dia 03 de Junho, a Corrida Guarani. 

Geralmente, participo de corridas de rua em São Paulo e corro nas ruas do meu bairro com minha assessoria. Minhas únicas experiências fora das ruas foram algumas corridas em praias (fiz um trecho no Revezamento Maresias Bertioga em 2016) e o Treino de Montanha do Blog, no ano passado também. Quando meu treinador sugeriu que nos inscrevêssemos para uma corrida “rústica”, pensei que correríamos somente em estradas de terra. Só pensei mesmo…

A corrida Guarani é realizada dentro da reserva indígena dos Índios Guaranis, no litoral norte de São Paulo, em Boracéia. São quatro tipos de prova: a Kids, com percurso de 500 m; caminhada e corrida de 5 km; e a corrida de 13 km. Parte do valor da inscrição é repassada diretamente à Aldeia. No kit da prova, recebemos uma camiseta, o chip (para prender no pulso esquerdo), um colar feito pela tribo, um squeeze e uma tatuagem removível com o logo da prova. A organização também pediu para que levássemos doações de alimentos para a aldeia.

Ao chegar ao local da prova, havia uma exposição e venda de artesanato e comidas indígenas. Os índios também estavam fazendo pinturas nos corredores. Antes da largada dos 5 km, o cacique da tribo e os índios entoaram um canto e fizeram uma dança para nos recepcionar. Fomos convidados a participar da roda e dançamos todos de mãos dadas! Foi bem bacana! 

Quando cheguei na largada dos 5 km, descobri que fui inscrita por engano nos 13 km. Neste momento, fui informada que estava desclassificada, mas que poderia correr e receber a medalha se quisesse. Fiquei chateada, mas só poderia pegar meu número de peito depois. O objetivo era não interferir na cronometragem e no controle da prova.

O início do percurso foi tranquilo, em uma estrada de terra batida com algumas poças, pois havia chovido há 2 dias. Corremos cerca de 2 km e eu estava achando a prova bem “fácil e plana”. Passamos por algumas ocas e casas dos índios, atravessamos um rio por ponte e entramos em uma trilha bem estreita. Aí começou mesmo! Uma trilha no meio da mata bem fechada, com alguns sobe-e-desce, mas bem sinalizada e com alguns índios posicionados para não nos perdemos.

Bem no começo, havia uma descidinha para atravessar um córrego – impossível não molhar o pé. Morri de medo de cair! Travei e deixei vários corredores passarem na minha frente antes de consegui ir. Dali em diante, a trilha era mais aberta e corri praticamente sozinha. Uma delícia! Nem lembrei de ligar música, o dia estava ensolarado e, realmente, o visual era incrível! Fui até mais devagar para curtir o momento.

Logo mais, passamos por mais córregos e entendi o porquê do chip no pulso: como você realmente atola o pé na lama, corre o risco de perder ou danificar o chip (e o tênis também!). Continuei o trajeto e deu aquela vontade de ter tentado os 13 km (era outra trilha diferente, com um rio para atravessar), só para curtir o lugar mesmo.

A medalha da prova e os tênis que ganhei no sorteio do treino de montanha do blog!

A organização da prova não disponibilizou pontos de hidratação, até para não deixarmos lixo na mata, então cada um levou água/líquido como pode. Eu fui com cinto de hidratação.  Depois de cerca de 20 minutos, voltei à estrada de terra e pude correr num ritmo habitual! Na chegada, recebi minha medalha sem problemas e poderia pegar de volta meu número de peito. Também ganhamos banana, maçã e alguns biscoitos. Comprei algumas peças de artesanato e fiquei com meu grupo esperando os corredores dos 13 km. 

Neste momento, a ambulância da organização tinha ido atender um atleta que desmaiou dentro do percurso de 13 km, no km 5 da corrida. Enquanto o resgate não chegou, os corredores que o encontraram fizeram os cuidados iniciais, mas, infelizmente, o atleta faleceu. Os meus colegas chegaram bem tristes com o ocorrido. 🙁 (Veja o comunicado oficial da organização.)

Apesar do evento trágico que aconteceu durante a corrida, achei incrível correr nas trilhas da Mata Atlântica e, ao mesmo tempo, ajudar os indígenas. Espero participar de outras corridas rústicas! 

A Corrida da Leitora é um espaço para compartilhar histórias, conquistas, superações, dicas e muito mais! Quer participar? Preencha o formulário e entraremos em contato.

[Leia a parte 1 aqui]

Na semana que antecedeu a W21K Asics, senti uma ansiedade comparável a de poucos momentos da minha vida – como quando prestei vestibular, encarei uma entrevista de emprego de 40 minutos em inglês e casei. Deu para entender como eu estava, né? Hahahaha… 😉

Eu sabia que era normal, afinal, tinha a companhia de algumas amigas que também iriam estrear nos 21k na mesma prova e estavam tão ansiosas quanto eu. E pude contar com pessoas experientes em meia maratonas para me ouvir e me aconselhar diante de todos os meus anseios, justificados ou não. 😛 Isso não me impedia, contudo, de ficar frustada por estar tão ansiosa. “É só mais uma prova, é só ir lá e correr”, repetia para mim mesma, como um mantra.

A mudança para o horário de verão não foi um problema. Quatro horas da manhã (do horário novo) eu já estava acordada. Cheguei na USP quando ainda estava escuro, com aquela vontade doida de, finalmente, ir lá e correr. Como combinado, encontrei com a Gabi, a Claudia e a Juciara na arena e fomos juntas para a largada. Resolvi correr ouvindo música e preparei uma playlist com meus episódios favoritos do podcast do Ronaldo Gasparian. A contagem regressiva terminou, balões subiam ao céu e os pelotões avançavam. Gabi me mostrou seu braço arrepiado e fiquei com vontade de chorar, mas segurei a emoção para me manter focada na prova.

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Com Gabi e Clau pouco antes da largada

Se no ano passado a W21K aconteceu em uma manhã nublada com termômetros entre 18 e 20 graus, o último domingo prometia céu aberto, com o sol queimando a mais de 30 graus. Isso já tinha sido motivo de uma longa conversa com a Mari na semana anterior, quando discutimos estratégias de prova para dias quentes (ela enfrentaria um desafio ainda maior, correndo a Meia Internacional do Rio com largada às 8h30 da manhã). A princípio, eu queria fazer uma prova progressiva, tentando aumentar o pace a cada 7 km. A sugestão da Mari era o contrário, que eu acelerasse no começo, quando a temperatura estaria mais baixa e eu renderia melhor.

Nos primeiros quilômetros tive a companhia da Clau. Fomos conversando e, quando me dei conta, estava correndo mais rápido que o pace que pretendíamos. Lembrei da sugestão da Mari e, já que estava confortável, segui o que meu corpo pedia. Acabei me distanciando das meninas, mas esses minutos que ganhei no começo da prova foram fundamentais lá no final. No primeiro cotovelo, quando nos cruzamos no km 4, trocamos sinais de que estava tudo bem. Cruzei também com a Aline, que corria os 10k, e vi no rosto dela aquela expressão que mistura alívio e alegria ao ver que tudo está acontecendo conforme o previsto. Isso me deu ainda mais confiança.

O primeiro terço da prova passou que nem vi. Na altura do km 8, reencontrei a Claudia, que tinha se empolgado e estava mandando ver. Tentei acompanhar, mas o calor começava a dar as caras e precisei diminuir o ritmo para um pace mais confortável para mim. Não via a hora de voltar para a USP, não só porque seria a segunda metade da prova, mas porque lá teria árvores!!! Hahahahaha…

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Entrando na USP para a segunda metade da prova (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run Brasil)

Eu tinha esquecido totalmente que correríamos na Avenida Politécnica. Do km 12,5 ao 16 não havia quase nenhuma sombra e foi, de longe, o trecho mais duro da prova para mim, mesmo sendo plano. Eu já havia jogado muita água no corpo e até gelo nos pontos de hidratação, mas ainda assim o sol castigava. Foi quando me rendi e tirei a regata do CM para correr só de top, mesmo com as gordurinhas balançando. Quem se importava? No retorno da avenida, a Gabi vinha no sentido oposto também correndo de top. Comecei a rir sozinha – minha profecia do ano anterior se cumpria! 😛

Também foi nessa hora que me lembrei da Mari, mais uma vez. Ela trabalha ali perto e, por muitos anos, quando eu também trabalhava por ali, tivemos almoços animados com a Pri no McDonald’s que fica no final daquela avenida – em uma época em que nem imaginávamos que um dia estaríamos correndo, quando mais meia maratonas! Pela hora, ela já teria largado no Rio e aí me veio na cabeça algo que a Mari sempre diz: quando ficar difícil, corra cada quilômetro com uma pessoa que você gosta.

Comecei a listar mentalmente com quem eu correria aqueles últimos 7 kms. E bem nessa hora começou a tocar nos fones This One’s For You, do David Guetta – poderia ser mais perfeito? Enquanto ouvia a Zara cantar “Estamos nessa juntos, ouça nossos corações batendo juntos, nos manteremos fortes juntos… essa é pra você!” recuperei minhas forças e segui rumo à USP, rumo à sombra e ao pórtico de chegada.

Faltava pouco para a placa dos 17 km, a maior distância que eu havia percorrido até então, e aquela vontade de chorar voltou com força. Eram os quatro quilômetros que faltavam entre eu e a minha primeira meia maratona! Mas vocês já tentaram chorar enquanto correm? Não dá! Hahahahaha… Parece que você vai sufocar. O choro entalava na garganta e, entre chorar e correr, fiquei com a segunda opção.

Sempre detestei percursos com vários “cotovelos”, mas aqueles retornos nos últimos kms lá na USP tiveram uma vantagem e tanto: pude cruzar com várias amigas nesse finzinho de prova. Fiz high-five com a Ju Bueno e a Clau, comemorei quando vi que a Juciara tinha recuperado o ritmo e já estava lá na frente, cruzei com a Gabi e gritei apontando para o relógio “vai dar, vai dar!”. Hahahahaha…

E deu, estávamos quase lá! As placas indicavam os metros finais: 500… 400… 300… Como sempre, o Cris fotografava nossos momentos como só ele sabe fazer (procurem suas fotos no Foco Radical com a descrição POP16W21K). Agora era só entrar no Cepeusp e correr os últimos metros na pista de atletismo.

Tô derretendo, mas tô chegando! rs (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run BR)

Tô derretendo, mas tô chegando! rs (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run BR)

Nem senti a subidinha do Cepeusp e quase caí na pista tamanha empolgação! Hahahaha… Chegando vi o relógio, soube que tinha feito a prova em menos de 2h40 (deu exatamente 2h35min08s no tempo oficial) e comecei a pular comemorando antes mesmo de cruzar a chegada. O Zé estava me esperando na grade, junto com a Aline e o Beto e eu tentava organizar o corpo e a cabeça. Calor, calor, calor… Eu precisava de uma sombra, mais que qualquer coisa!

Pegando a medalha me dei conta que, diferente do ano anterior, não teríamos o colarzinho de recordação da prova. Que pena! Recebi o lanche, o isotônico, o sorvete, mal cabiam as coisas nas mãos, e fui para a primeira sombra que encontrei. Ainda estava processando aquilo tudo, tantos sentimentos… Foi quando a Aline chegou com uma caixinha nas mãos e disse: você sabe que a Mari queria muito estar aqui, então ela te mandou um presente. Abri e era uma colarzinho com dois pingentes: um tênis e uma medalhinha de 21k. Comecei a chorar, claro!

Tenho ou não tenho as melhores companheiras de blog?! 😉

Aos poucos as meninas foram chegando, conversamos, celebramos, tiramos fotos, levamos nossas medalhas para gravar… Não foi uma prova fácil, mas toda a nossa preparação, dedicação e, acima de tudo, toda a nossa paciência compensaram! rs

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Merecida e tão aguardada medalha!

Depois da prova… Bom, tem sim um depois! Mas esse vai ficar para outro post porque este aqui já está enorme!!!

Obrigada a todas vocês que me acompanharam, me deram força, me deram tchauzinho antes, durante e depois da prova. Como dá para perceber, fez diferença sim! 

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