Em abril, nós visitamos a clínica Integrata Saúde, aqui em São Paulo, que oferece um programa de acompanhamento médico especializado para corredores, o On Run. São 12 especialidades, que você pode combinar de acordo com seus objetivos e necessidades: Medicina Esportiva, Preparação Física, Ortopedia, Fisioterapia, Cardiologia, Vascular, Otorrinolaringologia, Nutrologia, Nutrição, Odontologia, Acupuntura e Medicina Física e Reabilitação.


Desde então, comecei a fazer o programa On Run na clínica e agora, dois meses depois, posso contar um pouco mais para vocês sobre a minha experiência!

O primeiro passo é uma consulta com um profissional de Medicina Esportiva. No meu caso, fui atendida pelo dr. Carlos, que escutou com a maior paciência do mundo todo o meu histórico de atividades físicas da vida, desde os primeiros anos de ballet clássico na infância até minhas metas de corrida para este ano. Foi um bate-papo de mais de uma hora!

Em seguida, fizemos um super check-up. Eu já tinha passado em consulta com meu cardiologista no começo do ano e feito alguns exames de coração, o que adiantou um pouco o processo (dica: sempre leve seus exames mais recentes para a consulta, mesmo se não foram pedidos por aquele médico em especial). E o dr. Carlos também solicitou alguns exames extras.

Como eu tenho diagnóstico de bronquite, com histórico de broncoespasmo induzido por exercício, isso foi uma preocupação a mais no meu quadro e fiz um teste específico para avaliar minha capacidade respiratória; também por isso, fiz a espirometria e o teste ergométrico separadamente, e não o teste ergoespirométrico, mais comum entre os corredores.

Os exames avaliados nessa primeira etapa do On Run foram:

Eletrocardiograma (ECG): exame bem rapidinho e indolor. Você fica deitada na maca enquanto são colocados eletrodos em pontos específicos do corpo para medir a atividade elétrica do coração, o que permite avaliar o estado de normalidade ou de alteração dos seus músculos e nervos. Apesar de parecer simples, esse exame é muito importante para identificar arritmias, infartos, crescimento de cavidades do coração, entre outros diagnósticos.

Ecocardiograma: nada mais é que uma ultrassonografia do coração. Fiz o ecocardiograma com Doppler, que avalia também a pressão sanguínea e a velocidade do sangue dentro das válvulas cardíacas. Esse exame é usado para verificar aspectos anatômicos e funcionais do coração.

Teste Ergométrico: é o famoso Teste de Esforço ou “Teste da Esteira”, já que o exame é feito na esteira ergométrica. Seu objetivo é medir os batimentos cardíacos, a pressão arterial e a atividade elétrica do coração (através do eletrocardiograma, que é feito em conjunto) durante a atividade física. É preciso ir com tênis e roupa própria para treino, sendo que os homens fazem o teste sem camisa e as mulheres de top por causa dos eletrodos que são colocados no tórax. Dura de 20 a 30 minutos e, conforme o tempo passa, a esteira vai ficando cada vez mais inclinada e/ou mais rápida. O exame termina quando o paciente pede ou atinge o limite pré-estabelecido, ou quando ocorre alguma alteração nos parâmetros analisados. Ele também avalia a sua recuperação após o esforço, parado em pé e depois deitado na maca. Esse exame é essencial para os corredores porque existem alterações no coração que só aparecem quando fazemos esforço físico.

Espirometria: prova de função pulmonar que detecta, diferencia e quantifica alterações respiratórias. Você precisa soprar um tubo plástico descartável acoplado a uma espécie de pistola, que mede o fluxo de ar que você inspira e expira, seguindo as instruções do técnico. Parece simples, mas eu achei bem difícil e tive que repetir o procedimento algumas vezes – talvez porque eu tenho, de fato, uma alteração respiratória! 😛 Acho que saí do exame meio roxinha porque você precisa soprar o ar com força e por um bom período de tempo (que mais parecia uma eternidade pra mim, hahahaha…) Primeiro você faz o exame “ao natural”, depois usa um broncodilatador, espera alguns minutos para a medicação ter efeito e refaz o exame para que os valores possam ser comparados. Apesar de o meu diagnóstico não ser dos mais graves e eu estar liberada para correr sem ter que usar broncodilator, fui orientada a tomar alguns cuidados preventivos, especialmente em treinos e provas mais longos.

Densitometria de Corpo Inteiro (DEXA): também apelidado por mim de exame mais legal da vida, hahaha… 😉 É bem simples, você deita bem retinha de barriga pra cima enquanto seu corpo todo é “escaneado” pela máquina. E quando digo todo, é todo mesmo! O resultado é bem completo, mostrando sua composição corporal, ossos, massa gorda e massa magra – é o que há de mais apurado na medição de gordura corporal. E ele mostra esses percentuais por partes do corpo, o que ajuda a avaliar se é preciso alguma atenção mais especial em função disso (por exemplo, se há excesso de acúmulo de gordura abdominal, o que pode ser sintoma ou risco adicional para o desenvolvimento de algumas doenças). Achei legal saber que minha gordura tá aqui, sim, e seria bom perder alguns quilinhos, mas pelo menos ela tá super bem distribuída! 😛

Exames e mais exames: verificando se está tudo bem antes de partir pra próxima meta na corrida!

Exames e mais exames: verificando se está tudo bem antes de partir pra próxima meta na corrida!

Com os resultados em mãos e o calendário do segundo semestre definido, o dr. Carlos me encaminhou para os passos seguintes do programa. Sem nenhuma complicação cardíaca e uma alteração respiratória sob controle, recebi o aval para perseguir minha próxima meta na corrida e me preparar para a prova-alvo deste ano (conto depois qual é!). Ele também sugeriu algumas mudanças na minha rotina de treinos, que explicarei em um próximo post. Até lá, terei acompanhamento mensal para avaliar minha evolução e prevenir lesões.

Além disso, não só por uma questão estética, mas também para melhorar minha performance, quero perder alguns quilinhos. Minha próxima consulta na Integrata é com um nutricionista – já estou empolgada para conhecer o cardápio e as orientações ! 🙂

Desses dois primeiros meses, posso dizer que estou adorando toda a dedicação da equipe da Integrata. É muito legal ter um médico que conhece seu histórico e o seu esporte, mesmo que ele seja só um hobby, porque tem algumas coisas que só corredor entende, né? Hahahahaha… Eu sempre tive um certo receio de “forçar” demais e ter uma crise no meio de uma prova, e agora estou sentindo muito mais confiança porque sei que tenho com quem contar para esclarecer minhas dúvidas e me ajudar.

E, claro, vocês poderão acompanhar toda essa jornada aqui no blog! 😀

parceiro-integrata

corrida-e-bronquite

Desde minha participação na Rádio CBN falando sobre o nosso blog, muita gente tem me perguntado sobre a minha bronquite. A verdade é que eu tomo um certo cuidado para falar sobre isso porque não sou médica, portanto só posso falar da minha experiência pessoal — e não é porque algo funciona para mim que vai funcionar para todo mundo.

Minha bronquite é algo com que aprendi a conviver desde criança e, apesar de qualquer alergia ser uma chatice, sempre levei uma vida relativamente “normal”. Minhas crises foram tratadas com muita inalação e homeopatia (pois é, eu não usava “bombinha”). Aliás, passei anos sem ter uma crise sequer. Mas, ao mudar para São Paulo em janeiro, o ar puro (cof cof) da capital foi um pouco demais para os meus pulmõezinhos e eles reclamaram bastante. Tanto que tive que parar de treinar umas três ou quatro vezes por causa de crises e até pensei em desistir de correr em alguns momentos. Agora já estou um pouco mais “climatizada” e bem melhor, obrigada. 🙂

Quem tem bronquite pode fazer exercício físico? Olha, apesar de eu nunca ter sido uma atleta com desempenho exemplar, sempre fiz atividade física sem grandes problemas. Na adolescência, nadava todos os dias e também fiz um ano e meio de boxe. Correr exigiu mais, confesso — é bem desafiador, aliás. Mas, aos poucos, estou melhorando meu desempenho nas provas e andando cada vez menos. A verdade é que a corrida está me ajudando com a bronquite: não só meu fôlego está maior, como estou dormindo bem melhor.

O mais difícil pra mim é que, quando aumento muito a intensidade do treino, eu tenho broncoespasmos. Ou seja, eu fico sem fôlego e meu peito começa a chiar. Aí eu preciso andar até estabilizar para então voltar a correr. O treino agora tem sido para correr mais devagar, porém por mais tempo, de modo que eu não ande no percurso (por isso, troquei a rua pela esteira, para ter mais controle da velocidade).

Cada meio quilômetro a mais eu comemoro com muita felicidade, apesar de meus tempos serem gigantes se comparados aos de outras pessoas. Inclusive, se você tem bronquite e quer correr, minha dica número 1 é: não fique se comparando com os outros! Coloque seu foco em melhorar o SEU desempenho, comparado com o de treinos/corridas anteriores. O importante é terminar a prova bem, feliz, não importa quanto tempo você vai levar para cruzar a linha de chegada.

De modo geral, alguns conselhos que posso dar são:

  • Evite treinar em dias muito secos, ou quando tiver uma mudança brusca de temperatura.
  • Evite correr em locais onde circulam muitos carros ou que tenham muita poluição.
  • Fique atento à hidratação (além de beber muita água ao longo do dia, eu gosto de pingar soro fisiológico nas narinas).
  • Se você fuma, pare.
  • Cansou? Diminua o ritmo. Ande. Não é vergonha, muita gente alterna caminhada e corrida quando está começando a correr.
  • Se você estiver em crise, não pode treinar; tem que se recuperar primeiro.
  • E o mais importante: pegue leve e vá aumentando a intensidade/duração dos treinos aos poucos, respeitando os limites do seu corpo.

Aproveito para repetir o que sempre falamos aqui no blog: antes de colocar o tênis e sair correndo por aí, consulte um médico. De repente, sua bronquite é mais grave que a minha, eu não tenho como saber. Só um médico pode avaliar seu quadro, e isso é fundamental. Como precaução, você pode ser orientado pelo seu médico a usar um broncodilatador antes do treino, por exemplo. Ou então pode ser interessante começar com caminhada ou natação antes de partir para a corrida. Converse com seu médico, experimente e veja o que funciona melhor para o seu organismo.

Você vai precisar ser mais teimoso que a bronquite se quiser correr, mas compensa. 😉

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