Ahhhhh… Chegou a hora de respirar fundo e começar a escrever sobre essa prova. Sim, tem que respirar fundo primeiro porque a história é longa – como toda história de primeira meia maratona, né? rs

Ano passado tive a primeira conversa séria sobre fazer uma meia maratona com meu treinador na época, o querido Eduardo Barbosa. Ele ouviu com aquela sobrancelha levantada (quem o conhece, sabe do que estou falando) e então me perguntou: certo, mas como você gostaria que fosse sua primeira meia maratona?

treino-21k-juvargas

Eu não tinha grandes pretensões. Só queria completar os 21k bem, sem ficar morrendo de dor no dia seguinte, sem me lesionar durante os treinos, sem quebrar durante a prova. E, tá bom, se eu pudesse determinar um tempo, diria que em 2h30 seria incrível pra mim. A conquista das conquistas!

Ele respondeu: certo, então você vai fazer essa prova só no ano que vem. E vai fazer em 2h40.

Fiquei com aquela cara de “cê jura?” e ele já completou com uma série de explicações. Ainda insisti, repliquei, mas ele não se abalou com a minha manha. Ao final, setenciou: você quer fazer a prova desse jeito que você me falou? Então faça no ano que vem. Agora não recomendo.

Brinco que treinador é aquela pessoa que você contrata para te falar não, então parei um minuto para pensar e vi que ele tinha total razão. Eu nem corria 10k direito ainda, por que pular etapas? Por que não curtir os 10k primeiro antes de ir para os 21? Os treinos seriam duros e eu não estava pronta como gostaria/deveria, poderia me lesionar, sobrecarregar meu corpo com um estresse físico e emocional desnecessários… Tudo isso por pressa ou uma tola vaidade de dizer “sou meia maratonista” – e às custas de quê? De minha saúde, de minha paixão pela corrida? Possível é, mas eu não queria fazer os 21k a qualquer preço. Eu queria fazer minha primeira meia com confiança e alegria. Assim que deveria ser!

Segui em busca de outro objetivo, mas é claro que não foi tão simples… Em muitos momentos nas semanas que antecederam a prova de 2015, me questionei se não deveria ter ousado mais. “Acreditado” mais. Porém, as dúvidas que eu tinha se foram quando, de coração partido, vi acontecer com outras pessoas aquilo que meu treinador sabiamente previu que aconteceria comigo se eu tivesse seguido em frente: as lesões, o “bode” com a corrida, a quebra durante a prova… O “completar por completar”.  E então agradeci porque tive ao meu lado, no momento certo, uma pessoa que realmente se preocupava comigo e com a minha corrida, que me conhecia muito bem e me alertou. Que não me deixou ir na pilha dos outros, agindo contra mim mesma. E que depois me preparou adequadamente para chegar onde cheguei como cheguei – do jeito que eu queria. Agradeci porque, apesar da pressão e da vontade que eu tinha de fazer aqueles 21k, tive maturidade para ouvir a experiência do meu treinador e confiar nela.

Agora posso dizer com plena convicção: esperar – ou melhor, me dar esse ano a mais para me preparar – foi a melhor escolha.

Gabi e Edu, duas pessoas fundamentais nessa história!

Gabi e Edu, duas pessoas fundamentais nessa história!

Junto comigo, estava a Gabi Delgado, também aluna do Edu e com o mesmo objetivo que eu tinha. Combinamos que faríamos juntas a Golden Run de São Paulo em julho de 2016 (afinal, a gente não queria esperar tanto assim). E brincava com o Edu que Gabi e eu iríamos nos preparar tanto para essa prova que correríamos de top, de tão “fit” que estaríamos. Hahahahaha… 😛

A mudança no percurso da Golden, porém, e o primeiro semestre tumultuado que as duas enfrentaram em 2016, por diversas razões, nos fizeram mudar de planos. Gabi decidiu correr a W21K e eu queria a Golden de Brasília, para estrear nos 21k ao lado do meu marido.

Seguimos treinando e nossas provas-alvo se aproximando. Mas, como sempre, a vida prepara surpresas e muda nossos planos… No meio do ano, meu marido se lesionou e não poderia se recuperar a tempo de me acompanhar nos 21k. Também fui premiada pela minha empresa com um MBA e as aulas começariam bem na época em que os treinos seriam mais exigentes… O que fazer?

Refiz os planos! Os treinos estavam indo tão bem que eu não queria adiar a meia maratona mais uma vez, então optei por antecipá-la. Talvez eu ganhasse alguns minutos no tempo que eu planejava concluir, mas conseguiria fazer bem mesmo assim. E, no fim das contas, aconteceu de eu estrear na W21K ao lado da Gabi.  E também aconteceu de cruzarmos a linha de chegada de top! Hahahahahaha… Mas por outra razão!

No próximo post, eu conto o porquê. 😉

Runners take off from the starting line for the Little Compton Road Race at the United Congregational Church Fair in Little Compton, Saturday. Photo by Bill Murphy.

Quem aqui gosta de largar lá na frente?

Um tempo atrás, fui convidada para participar de uma corrida por um dos principais patrocinadores da prova e a empresa, muito gentil, me colocou na “área vip” da largada. Sabe aquela primeira baia, coladinho com os corredores de elite? Então! Como só descobri na hora que poderia largar na frente, nem raciocinei muito e simplesmente fui para onde me indicaram. Aí, muita gente pode pensar: que ótimo, largar entre os primeiros e não ter que ficar ultrapassando as pessoas, lidar com paredões, só você e a pista…. Certo?

Errado!!!

Acontece que eu ainda tô longe de correr no pace “top da balada” rs… E sair com o primeiro grupo, cercada por pessoas que correm bem mais rápido do que eu, mais me atrapalhou do que me ajudou.

Primeiro porque, inconscientemente, comecei correndo mais rápido do que estou acostumada, empolgada pelo pelotão. Só que eu não consegui manter esse ritmo por muito tempo e, alguns quilômetros depois, precisei diminuir a velocidade. E olha, não foi diminuir drasticamente; foi simplesmente correr no ritmo a que estou acostumada.

Foi então que veio a surpresa: ao invés de me sentir confortável correndo no meu pace, comecei a me sentir pesada, cansada e lenta. Terrivelmente lenta! Parecia que eu estava me arrastando pela prova… E eu sabia que não estava lenta, estava no meu normal. Demorou um pouco para que a coisa toda encaixasse e fluísse.

Aqui em São Paulo, tem sido cada vez mais comum as provas dividirem os corredores em grupos por pace. Em alguns casos, o ponto em que você vai largar é definido pelo seu desempenho em provas anteriores da mesma organizadora; em outros, é calculado com base no que o próprio corredor informa no momento da inscrição. E tem um bom motivo para isso: quando feita em ondas, a largada fica, de fato, mais organizada. Com menos ultrapassagens, menos risco de alguém se lesionar, esbarrar ou mesmo derrubar outro corredor. No fim, todos correm melhor. Mesmo assim, cansei de ver pessoas reclamando por terem de largar mais atrás e cobiçando sair lá na frente, quando não tentam invadir o outro curral.

Se a minha experiência servir de alguma coisa, rs, recomendo que você avalie bem antes de fazer isso. Por mais tentador que seja largar entre os “vips”, acredite: não tem nada pior que sentir que você está correndo mal quando você está correndo no seu normal.

Como eu já tinha feito o mesmo percurso outras vezes, pude comparar meu desempenho e meu tempo baixou em relação às provas anteriores. O que é ótimo! Mas a verdade é que não foi uma corrida gostosa. Pelo contrário, foi uma corrida meio sofrida e nem o fato de eu ter melhorado meu tempo ajudou a tirar essa sensação.

Logo que saí da prova, conversei com meu treinador – o Eduardo Barbosa, da 4any1 Assessoria Esportiva – e ele não se surpreendeu nem um pouquinho com meu relato. Na verdade, disse que cometi um erro bastante comum entre os corredores. O puxão de orelha (no bom sentido!) veio na hora pelo WhatsApp: “Mesmo como convidada, você deveria ter ido no seu pace normal. Devemos sempre respeitar nosso ritmo”.

Lição aprendida! 😉

post_parceiros_4any1_2015