Olá mulherada!

Em setembro contei aqui que estava participando de um desafio com a Fila, o #FilaRio21k, que consistia em treinar e correr a Meia Internacional do Rio. 🙂 E como se já não fosse legal correr uma prova que eu nunca tinha participado, a Fila ainda bolou um final de semana cheio de atividades e tornou tudo ainda mais incrível.

time-fila-aeroporto-sao-paulo-rio-de-janeiro

Galera no aeroporto. Partiu Errejota! (Foto: Ramon)

Eram 20 pessoas para participar do desafio, 10 que moravam em Sampa e 10 que moravam no Rio. Fomos todos de São Paulo juntos no mesmo voo para o Rio na sexta e chegando lá já fomos confraternizar num jantar na Pizzaria Guanabara. 😉

No dia seguinte acordamos cedo, tomamos um café da manhã caprichado e fomos treinar junto com os atletas de elite patrocinados pela Fila: Leah Jerotich, Eliya Daudisidame e Faraja Damasi.

O sol já estava bombando no Rio, e quem não era acostumado, já começou a sofrer, rs. O treino foi muito engraçado, porque os atletas de elite começaram a correr num pace de 6’30” e todo mundo achando que eles iam continuar assim, eles foram aumentando, aumentando, e deixando todo mundo pra trás, rs. No final do treino estavam correndo a 3’20” naquele calor, e por mais incrível que pareça, vestidos com agasalho! Eu suava só de olhar.

time-fila-meia-internacional-do-rio-elite-treino

Galera e os atletas de elite. (Foto: Fila)

No sábado já tinha acordado com a garganta arranhando e ao longo do dia foi piorando, como tivemos a tarde livre, eu aproveitei pra descansar. À noite o tradicional jantar de massas foi num lugar incrível, o Rooftop lounge do Pestana Rio Atlântica. 😉 Daí a galera toda do desafio se reuniu e foi incrível! 😀 Animação geral com a prova do dia seguinte.

E aí chegou o grande dia!

time-fila-meia-internacional-do-rio-largada

Time Fila: os amarelinhos! 😛 (Foto: Fila)

No domingo de manhã todo mundo colocou o uniforme e fomos bem cedinho pra largada, pois iríamos largar logo atrás da elite masculina. Ainda tivemos o privilégio de poder ficar perto dos atletas de elite na concentração. 😀

Às 8h30 foi dada a largada, o dia já estava quente, porém o sol estava até tranquilo. Largamos todos juntos na maior animação, e logo encaixei um ritmo tranquilo com a Drica e a Lu, duas queridas. <3 Fomos juntas até o Leblon, que foi quando o sol começou a castigar bastante, na altura do km 7.

Segui ainda com a Drica até o km 10, e ela continuou no ritmo que estávamos, enquanto eu aproveitei a sombrinha logo depois de Copacabana para organizar a cabeça e também o corpo, eu estava muito enjoada e o calor estava me incomodando muito. Dali pra frente eu fui num trote praticamente até o fim, andando nos postos de água pra tomar um copo e jogar outro no corpo. O termômetro chegou aos 42 graus, mas quem corre sabe que debaixo do sol, com o corpo quente, a coisa piora. Eu sofri muito fisicamente nos 11 kms finais, mas a cabeça tava focada na chegada, na medalha e na conquista. 🙂 Ainda nos últimos 2 kms eu reencontrei a Lu e fomos juntas até o final! 😀 Quando cruzamos a linha de chegada foi um alívio, eu juro que nos últimos kms eu só sonhava com uma sombrinha, rsrsrs.

time-fila-meia-internacional-do-rio-chegada

Galera animada com as medalhas! (Foto: Fila)

Confesso que eu não achei que ia sofrer com o calor não, em abril corri também uma meia no Rio, engatei uma meia em Porto Seguro, fez bastante calor nos dois lugares e foi tranquilo. Ainda corri 10 milhas mês passado em Vitória num sol escaldante. Mas na meia internacional o bicho pegou e vi que eu até aguento correr no calor, mas realmente não é minha temperatura preferida pra correr, rs.

Depois de muitas comemorações, fomos todos tomar um banho no hotel e comemorarmos a merecida medalha no Balada Mix. 😀

O fim de semana foi incrível, com muita história pra contar, mas principalmente, com muitos amigos! Obrigada Drica e Sérgio, Ramon e Lu, Denise e Benko, Giuli e Hélio, Ursula e Victor, Dani e Gui, Cris, Nanda e Dê Azulay. E um obrigada especial para a Karina, amiga, parceira que dividiu tudo comigo! Da ansiedade, treinos, provas antes e quarto de hotel!

Obrigada Fila (e todos que estão por trás <3) pelo desafio e por tudo que organizaram, foi maravilhoso. Valeu timeeeeeee! 😛

time-fila-meia-internacional-do-rio-treino

Eu e a Ka. A sincronia não é só na corrida não. 😀 Amiga que a corrida me deu pra vida.

E que venham novos desafios! 😉

[Leia a parte 1 aqui]

Na semana que antecedeu a W21K Asics, senti uma ansiedade comparável a de poucos momentos da minha vida – como quando prestei vestibular, encarei uma entrevista de emprego de 40 minutos em inglês e casei. Deu para entender como eu estava, né? Hahahaha… 😉

Eu sabia que era normal, afinal, tinha a companhia de algumas amigas que também iriam estrear nos 21k na mesma prova e estavam tão ansiosas quanto eu. E pude contar com pessoas experientes em meia maratonas para me ouvir e me aconselhar diante de todos os meus anseios, justificados ou não. 😛 Isso não me impedia, contudo, de ficar frustada por estar tão ansiosa. “É só mais uma prova, é só ir lá e correr”, repetia para mim mesma, como um mantra.

A mudança para o horário de verão não foi um problema. Quatro horas da manhã (do horário novo) eu já estava acordada. Cheguei na USP quando ainda estava escuro, com aquela vontade doida de, finalmente, ir lá e correr. Como combinado, encontrei com a Gabi, a Claudia e a Juciara na arena e fomos juntas para a largada. Resolvi correr ouvindo música e preparei uma playlist com meus episódios favoritos do podcast do Ronaldo Gasparian. A contagem regressiva terminou, balões subiam ao céu e os pelotões avançavam. Gabi me mostrou seu braço arrepiado e fiquei com vontade de chorar, mas segurei a emoção para me manter focada na prova.

w21k-2016-largada

Com Gabi e Clau pouco antes da largada

Se no ano passado a W21K aconteceu em uma manhã nublada com termômetros entre 18 e 20 graus, o último domingo prometia céu aberto, com o sol queimando a mais de 30 graus. Isso já tinha sido motivo de uma longa conversa com a Mari na semana anterior, quando discutimos estratégias de prova para dias quentes (ela enfrentaria um desafio ainda maior, correndo a Meia Internacional do Rio com largada às 8h30 da manhã). A princípio, eu queria fazer uma prova progressiva, tentando aumentar o pace a cada 7 km. A sugestão da Mari era o contrário, que eu acelerasse no começo, quando a temperatura estaria mais baixa e eu renderia melhor.

Nos primeiros quilômetros tive a companhia da Clau. Fomos conversando e, quando me dei conta, estava correndo mais rápido que o pace que pretendíamos. Lembrei da sugestão da Mari e, já que estava confortável, segui o que meu corpo pedia. Acabei me distanciando das meninas, mas esses minutos que ganhei no começo da prova foram fundamentais lá no final. No primeiro cotovelo, quando nos cruzamos no km 4, trocamos sinais de que estava tudo bem. Cruzei também com a Aline, que corria os 10k, e vi no rosto dela aquela expressão que mistura alívio e alegria ao ver que tudo está acontecendo conforme o previsto. Isso me deu ainda mais confiança.

O primeiro terço da prova passou que nem vi. Na altura do km 8, reencontrei a Claudia, que tinha se empolgado e estava mandando ver. Tentei acompanhar, mas o calor começava a dar as caras e precisei diminuir o ritmo para um pace mais confortável para mim. Não via a hora de voltar para a USP, não só porque seria a segunda metade da prova, mas porque lá teria árvores!!! Hahahahaha…

w21k-2016-ju

Entrando na USP para a segunda metade da prova (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run Brasil)

Eu tinha esquecido totalmente que correríamos na Avenida Politécnica. Do km 12,5 ao 16 não havia quase nenhuma sombra e foi, de longe, o trecho mais duro da prova para mim, mesmo sendo plano. Eu já havia jogado muita água no corpo e até gelo nos pontos de hidratação, mas ainda assim o sol castigava. Foi quando me rendi e tirei a regata do CM para correr só de top, mesmo com as gordurinhas balançando. Quem se importava? No retorno da avenida, a Gabi vinha no sentido oposto também correndo de top. Comecei a rir sozinha – minha profecia do ano anterior se cumpria! 😛

Também foi nessa hora que me lembrei da Mari, mais uma vez. Ela trabalha ali perto e, por muitos anos, quando eu também trabalhava por ali, tivemos almoços animados com a Pri no McDonald’s que fica no final daquela avenida – em uma época em que nem imaginávamos que um dia estaríamos correndo, quando mais meia maratonas! Pela hora, ela já teria largado no Rio e aí me veio na cabeça algo que a Mari sempre diz: quando ficar difícil, corra cada quilômetro com uma pessoa que você gosta.

Comecei a listar mentalmente com quem eu correria aqueles últimos 7 kms. E bem nessa hora começou a tocar nos fones This One’s For You, do David Guetta – poderia ser mais perfeito? Enquanto ouvia a Zara cantar “Estamos nessa juntos, ouça nossos corações batendo juntos, nos manteremos fortes juntos… essa é pra você!” recuperei minhas forças e segui rumo à USP, rumo à sombra e ao pórtico de chegada.

Faltava pouco para a placa dos 17 km, a maior distância que eu havia percorrido até então, e aquela vontade de chorar voltou com força. Eram os quatro quilômetros que faltavam entre eu e a minha primeira meia maratona! Mas vocês já tentaram chorar enquanto correm? Não dá! Hahahahaha… Parece que você vai sufocar. O choro entalava na garganta e, entre chorar e correr, fiquei com a segunda opção.

Sempre detestei percursos com vários “cotovelos”, mas aqueles retornos nos últimos kms lá na USP tiveram uma vantagem e tanto: pude cruzar com várias amigas nesse finzinho de prova. Fiz high-five com a Ju Bueno e a Clau, comemorei quando vi que a Juciara tinha recuperado o ritmo e já estava lá na frente, cruzei com a Gabi e gritei apontando para o relógio “vai dar, vai dar!”. Hahahahaha…

E deu, estávamos quase lá! As placas indicavam os metros finais: 500… 400… 300… Como sempre, o Cris fotografava nossos momentos como só ele sabe fazer (procurem suas fotos no Foco Radical com a descrição POP16W21K). Agora era só entrar no Cepeusp e correr os últimos metros na pista de atletismo.

Tô derretendo, mas tô chegando! rs (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run BR)

Tô derretendo, mas tô chegando! rs (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run BR)

Nem senti a subidinha do Cepeusp e quase caí na pista tamanha empolgação! Hahahaha… Chegando vi o relógio, soube que tinha feito a prova em menos de 2h40 (deu exatamente 2h35min08s no tempo oficial) e comecei a pular comemorando antes mesmo de cruzar a chegada. O Zé estava me esperando na grade, junto com a Aline e o Beto e eu tentava organizar o corpo e a cabeça. Calor, calor, calor… Eu precisava de uma sombra, mais que qualquer coisa!

Pegando a medalha me dei conta que, diferente do ano anterior, não teríamos o colarzinho de recordação da prova. Que pena! Recebi o lanche, o isotônico, o sorvete, mal cabiam as coisas nas mãos, e fui para a primeira sombra que encontrei. Ainda estava processando aquilo tudo, tantos sentimentos… Foi quando a Aline chegou com uma caixinha nas mãos e disse: você sabe que a Mari queria muito estar aqui, então ela te mandou um presente. Abri e era uma colarzinho com dois pingentes: um tênis e uma medalhinha de 21k. Comecei a chorar, claro!

Tenho ou não tenho as melhores companheiras de blog?! 😉

Aos poucos as meninas foram chegando, conversamos, celebramos, tiramos fotos, levamos nossas medalhas para gravar… Não foi uma prova fácil, mas toda a nossa preparação, dedicação e, acima de tudo, toda a nossa paciência compensaram! rs

w21k-2016-medalha

Merecida e tão aguardada medalha!

Depois da prova… Bom, tem sim um depois! Mas esse vai ficar para outro post porque este aqui já está enorme!!!

Obrigada a todas vocês que me acompanharam, me deram força, me deram tchauzinho antes, durante e depois da prova. Como dá para perceber, fez diferença sim!