Em abril eu contei aqui no blog como comecei a correr. Hoje venho contar sobre a minha evolução nestes 8 meses apaixonada por corrida e como foi correr a minha primeira meia maratona. 🙂 Pre-pa-ra que o post é longo.

O meu objetivo com a corrida sempre foi um único: me superar! Não tem coisa mais gostosa do que fazer seu recorde pessoal depois de tanto treino. Durante esses meses, com muitos treinos, consegui reduzir meu tempo nas provas de 5 km. Em abril meu melhor tempo era 29’50”, em maio passou a ser 27’10” e em junho 26’36’’. Daí senti que era hora de começar a treinar para aumentar a distância e escolhi uma prova de 10 km noturna para a minha estreia.

Fui pra prova com muita pressão, pressão minha mesmo, queria fazer sub 1h. A prova foi uma briga interna (até hoje a corrida que mais sofri) e terminei em 56’36”. Fiquei mega feliz pelo tempo, mas como sofri com meus pensamentos negativos (o que eu tô fazendo aqui? Tô cansada, não vou conseguir completar! Vou parar de correr! Não nasci pra isso! Porque eu tô correndo? e etc) decidi que meus treinos dali em diante seriam para melhorar meu psicológico e melhorar o tempo nos 10 km.

Minha primeira prova de 10 km, a que me fez começar a treinar para a meia maratona. 16 km na esteira, porque tinha que reduzir o impacto por conta do joelho, maior tédio, mas sem opção, fui pra esteira mesmo. Disney Magic Run, prova que me inscrevi nos 10k, mas fui na caminhada porque foi na semana que o joelho começou a doer, queria ter corrido, mas foi a melhor coisa que fiz, saúde em primeiro lugar. Correndo nos meus melhores 5k na prova M5K. E Aline, eu e Dudu (meu filho) nos meus melhores 10k na Run The Night. 🙂

Conversando e lendo artigos, cheguei à conclusão que eu deveria começar a seguir uma planilha para uma distância maior. Ao invés de me focar em bater meu tempo nos 10 km, eu deveria tentar correr uma meia maratona e assim aprender a ter paciência, pois não poderia sair correndo 21 km do dia pra noite, eu teria que ir evoluindo aos poucos. E eu também trabalharia melhor meu psicológico, afinal, correr 21 km é saber lidar bem com aquele diabinho que fica ali no seu ombro durante a corrida falando que você tá cansada, que você não vai conseguir.

Seguindo a planilha, acabei também melhorando meu tempo em outras distâncias. Em agosto cheguei nos 52’25” nos 10k e em outubro cheguei aos 25’32” nos 5 km. O pior mês de treino foi setembro, logo no começo do mês senti um incomodo no joelho (síndrome da banda iliotibial) e tive que pegar leve por duas semanas, e a maioria dos treinos mesmo quando já podia treinar, eu ficava com medo do joelho “falhar” e ter que ficar parada. 🙁

Em outubro corri a Maratona de SP, contei aqui como foi, fui com a pretensão de correr 10k e terminei correndo 21km! Um mês depois, com muito friozinho no estômago, estreei “oficialmente” nos 21k. A prova escolhida foi a Circuito Athenas.

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Eu e a Cris na Ponte Estaiada na Maratona de SP (adoro essa foto). E minha singela homenagem para as pessoas que eu amo na corrida da Athenas. 🙂

Acordei cedo no domingo, dia 3, e 6h já estava no local. Logo encontrei com minha amiga Cris, íamos correr juntas e ficamos aguardando um amigo dela chegar, ele seria nosso pacer. 😉 Passa hora, e nada dele aparecer, quando faltavam 15 minutos pra largada, ele não aparecia, decidimos ir pra largada pra tentar encontrar um lugar bom, pois eu não poderia ficar fazendo muitas ultrapassagens por conta do joelho (começa a doer). Conseguimos um bom local e partimos para os 21,1 km. 😀

Nos 6 primeiros quilômetros fomos lado a lado, mas na segunda subida (meu ritmo sempre cai), ela abriu uma distância e dai pra frente fui acompanhando ela pelos retornos da prova, e sempre gritávamos uma pra outra e nos motivávamos. No quilômetro 7 tomei o sachê de gel e foquei em manter o ritmo, mantive até o 11. Mais subidas no quilômetro seguinte, mas as últimas na Ponte Estaiada. O calor só foi me incomodar na última descida da ponte. Daí o ritmo caiu, mas continuei correndo bem até o quilômetro 15, peguei o isotônico, tomei água e tomei mais um gel de carboidrato. Olhei pro relógio e ai a ficha caiu… mais 6 quilômetros e eu termino. As pernas já estavam pesando, mas eu só pensava “vou terminar, agora é só correr no plano”.

Quando vi a placa de 18 km minhas pernas cansaram, joelho doía e foi quando comecei a pensar “vou caminhar um pouquinho só pra respirar melhor”, comecei a trotar e já estava no 18,5km quando pensei “agora vou caminhar uns 500 metros, não aguento mais correr” e antes de eu parar apareceram o Robson e mais um homem puxando conversa, duas pessoas que eu nunca tinha visto na vida, mas que me ajudaram demais. O Robson falou “arruma a respiração, vai devagar, mas não para”, e eu não parei. Nos últimos 2,5 km eu tive muita vontade de parar, mas o Robson não deixou, ele foi meu anjo da guarda corredor e me incentivou nos 2.500 metros finais.

Quando faltavam 500m fui aumentando a velocidade, nos últimos trezentos metros sabia que aguentaria um sprint, mas conforme fui aumentando o ritmo veio a vontade de chorar. Eu não sabia se chorava ou se respirava, porque o nó na garganta era tão grande que o ar não descia pros pulmões, e o Robson falando “300 metros, olha o relógio!”, e ai apareceu a Cris! A Cris gritava “Vai Mari, vai com tudo!”, engoli o choro, tinha levantado os braços pra comemorar, mas abaixei pra correr mais rápido e dei tudo que eu podia e cruzei a linha de chegada com ela e o Robson ao meu lado! Fechei em 2:04:47 a minha primeira meia maratona!

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Eu e a Cris cruzando a linha de chegada. Meu anjo da guarda Robson. O abraço mais emocionante, mais lindo, mais cheio de lágrimas. <3 Comemorando o resultado. Erica, eu e Aline com as nossas medalhas. Eu e a Cris, minha companheira de treino, ansiedade pré-prova e felicidade pós-prova, rs. 😛

Os 5 minutos seguintes passaram em câmera lenta, eu pisando no tapete que registra o chip, chorando de soluçar, indo abraçar a Cris e comemorar que ela tinha completado sub 2h. Abracei o Robson e agradeci muito pelo apoio, e ai eu olhei pro lado e vi a Erica e a Aline. Elas tinham corrido 5 km e 10 km respectivamente e tinham esperado eu completar os 21 km… corri abraça-las, choramos muito juntas e desabafei tudo que podia “a prova foi difícil, mas eu consegui!” e elas chorando comigo, dizendo que estavam orgulhosas, chorei ainda mais.

Foi lindo! A prova foi suada, mas deliciosa. Ao cruzar a linha de chegada a sensação de missão cumprida, de superação, de “se eu quero, só depende de mim, então eu posso!”, eu jamais esquecerei. Foi um daqueles momentos da vida que vivemos e quando lembramos abrimos um sorriso e mesmo que escorra uma lágrima, sabemos que é de felicidade porque nos superamos, porque demos o nosso máximo e estávamos ali não pra ser melhor que alguém, mas pra ser melhor que nós mesmos.

Tenho só a agradecer as minhas amigas e amigos que sempre me apoiaram e torceram por mim, meu marido que sempre me incentivou, meu filho Dudu que é a razão de tudo, e minha família que me ensinou que só dependemos do nosso esforço para vencermos.

Foi um domingo maravilhoso, que nunca esquecerei. E só pra constar… eu amo correr! <3

  1. Ju Ferrer Ju Ferrer disse:

    Quanta emoção!!! Parabéns por toda determinação

    Beijocas

  2. Delma disse:

    Oi Mari

    Acompanho a sua luta e o seu sucesso através deste cantinho que amo. Parabéns, vc é uma inspiração pra mim. Um beijo e que venham muitas e muitas outras conquistas!

  3. Li Li disse:

    Se eu falar que li e meu olho encheu de lágrima você acredita? 😛

    Muita emoção, Mari, parabéns pela conquista. Eu sabia que você conseguiria e como você falou: o seu maior adversário é você mesma!!

    <3 <3 <3

    • Mari Frioli Mari Frioli disse:

      Li, claro que acredito! Eu tô aqui 5 dias depois lendo e chorando. 😉

      E muito obrigada Li, vc acompanhou tudo de perto, me ajudou nos regenerativos, acreditou em mim. 😉

  4. Me emocionei d+ com seu relato Mari! Parabéns! Você se esforçou pra isso! Merece colher todos os frutos!

    Como é sua rotina de treinos? Faz musculação? treina corrida quantas vezes na semana?
    Beijão!

    • Mari Frioli Mari Frioli disse:

      Oi Aline! Obrigadão! 🙂

      A minha rotina de treinos durante a semana é 4 dias de corrida, 2 dias de fortalecimento (musculação) e 1 dia de natação.

      São 3 corridas durante a semana na esteira ou no parque (ultimamente tem sido mais na esteira mesmo) e no fim de semana faço o longão. Um dia da semana eu descanso, então a natação entra quando dá, mas faço pelo menos 1 aula por semana.

      Se chego cedo na academia também faço aula de alongamento e pilates, mas não é sempre, nem rotineiro. Faço só quando dá tempo mesmo. 😉

  5. Engraçado… Li seu relato e de repente meus olhos se encheram dágua… Deve ser algum ninja descascadpor de cebolas por aqui… 🙂

    Me identifico muito com o relato. Em Junho procurei uma acessoria para correr uma corrida bem famosa e tradicional aqui de BH: A volta da pampulha. São 18km (quase tudo plano). Eu, que não corria nem 5km consecutivos comecei a me preparar. Alcancei, no inicio de setembro, a marca de 13km consecutivos, num tempo de 1:20+- e estava empolgadíssima. Aí, veio a tristeza. Uma dor horrível e estranhíssima na panturrilha que não me deixa correr nem 5km confortavelmente. :'(

    Estou extremamente decepcionada, pois não vou conseguir me preparar a tempo. Desde essa dor, não consegui continuar os treinos. E como estou sem plano de saúde, não consigo investigar a dor…

    Mas, para o ano de 2014, tenho ambições maiores! Arrumar essa dor, claro, e aí então, me preparar para uma meia maratona no segundo semestre. A Volta da Pampulha do ano que vem? Quero fazer num pace incrível!

    Parabéns pelo relato e pela conquista, adorei o texto!

    • Mari Frioli Mari Frioli disse:

      Amanda, hehehe, esses ninjas descascadores de cebola não querem me abandonar, lembro da prova e choro, rs. 😉

      Ai que triste, uma droga quando isso acontece, né? A gente mega empolgada e o corpo não acompanha e aparecem essas dores. Eu tive sorte de poder ir atrás e logo resolver o problema do meu joelho, tomo remédio e aprendi a dar passadas diferentes para diminuir a dor e continuar correndo.

      O melhor agora é dar um tempo mesmo, torcer pra dor parar ou tentar ir ao médico, se vc forçar pode ter uma lesão e ai é pior.

      Já estou aqui torcendo pra vc arrasar na Volta da Pampulha do ano que vem! <3

  6. Elisa Coutinho Lima disse:

    Poxa, ameiiii o post! Mari, vc é um incentivo pra continuar. Senti o seu sentimento de vitória e quase chorei junto ao ler. Parabéns!

  7. Sinara disse:

    Parabéns Mari!!! São histórias como a sua me motiva nesse ‘vicio do bem’… Comecei a correr agora em julho e estou simplesmente apaixonada por esse universo de corredores. Ano de 2014 já decidi vou para os 10km e no fim do ano 21KM.

    • Mari Frioli Mari Frioli disse:

      Sinara, obrigada! 😉
      Tem um bichinho da corrida que quando nos pega não tem mais jeito… nos apaixonamos!
      é isso ai, só ter foco que vc com certeza chega lá, vou ficar torcendo. 😉

  8. Camilla disse:

    Oi, Mari!
    Amei seu post. O circuito athenas tb foi minha primeira meia. Assim como vc, chorei e me emocionei muito! Não tem como explicar, né? Já fiquei com os pelinhos do braço arrepiados quando eu vi a plaquinha dos 20k e depois aquele choro preso na garganta… Só ao cruzar a linha de chegada que a gente percebe que a missão foi cumprida, que as lágrimas podem escorrer à vontade e ter a certeza de que “simmmm, a gente conseguiu”!
    Eu sigo vc no Insta e hoje pela primeira vez entrei no blog. Adorei.
    Parabéns pela sua evolução rápida e parabéns também por suas conquistas.
    Espero que a gente tenha contato e que se encontre num próximo desafio.
    Este ano vou correr a Corpore 7km dia 24/11 e em dezembro ainda não sei se vou participar de alguma. E vc?
    Um super bjo e bora correr! 🙂

  9. Carina disse:

    Oi Mari,
    estou com lagrimas nos olhos por acabar de ler essa superação sua.
    O seu post foi muito incentivador para todas nós mulheres corredoras.
    Obrigada por esse testemunho

  10. Piero Paixão disse:

    Olá Mari,
    Não olhei com muita atenção, mas acho que serei o primeiro homem a comentar… rsrsrs… Poww… quase choro aqui… 😛
    Seu post é de 06/11/2013 e hj são 21/08/2014, achei pq queria saber o tempo médio em uma meia maratona e apareceu seu depoimento.
    Minha Paixão pela corrida veio de uma sequência de lesões lombares do Vôlei que me obrigaram a praticar outro esporte, escolhi a corrida… 😀
    Meu melhor tempo nos 10km foi 51min e decidi colocar como foco a meia maratona do Rio em julho de 2015!!
    Comecei os treinos e com 2 semanas me aparece uma tendinite tibial posterior, tal fato está me obrigando a ficar 2 semanas com treinos leves… mas espero compartilhar minha experiência na meia do RIO 😀

  11. Cibele Felix disse:

    Nossa Mari, me vi muito em sua historia, demais até, chega me emocionei e logo me situei no seu lugar.
    Bom vou fazer a minha primeira marata dia 02/11 na Athenas 🙂 mais uma coincidencia e espero com muita ansiedade conclui-la com exito, nem que seja engatinhando rsrsrsrsr… Isso ai…. Foco, determinação!!!
    Sempre digo chegando e superando!!!!!
    Parabens a todas e em especial a vc que tem assim como eu uma única intenção… Superar a si e a seus limites!!! Grande beijo e quando completar a minha volto para dizer como foi!!!

    • Mari Frioli Mari Frioli disse:

      Cibele, que máximo! Quantas coisas parecidas. <3
      Vai conseguir completar sim, já estou na torcida! #tamojunto
      Bjo, vou ficar aguardando seu retorno para falar como foi incrível completar a primeira meia maratona! 😀

  12. Larissa Carvalho disse:

    Mari,
    quanta emoção!!! Chorei litros lendo.. sentindo tudo que você descreveu. Há uns dias corri meus primeiros 10km e já estou pensando na minha primeira meia… é algo que eu desejo muito, e que bom que tenho vocês do Corre Mulherada para trocar experiências.
    Parabéns por sua superação… que venham os 42km. Bjos

  13. Juliana disse:

    Mari, tô tentando ir pros meus 10k e espero no ano que vem conseguir fazer uma meia maratona, seu post pra mim foi inspirador, foi lindo e eu chorei aqui tbm ao ler. Parabéns!!!

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