[Leia a parte 1 aqui]

Na semana que antecedeu a W21K Asics, senti uma ansiedade comparável a de poucos momentos da minha vida – como quando prestei vestibular, encarei uma entrevista de emprego de 40 minutos em inglês e casei. Deu para entender como eu estava, né? Hahahaha… 😉

Eu sabia que era normal, afinal, tinha a companhia de algumas amigas que também iriam estrear nos 21k na mesma prova e estavam tão ansiosas quanto eu. E pude contar com pessoas experientes em meia maratonas para me ouvir e me aconselhar diante de todos os meus anseios, justificados ou não. 😛 Isso não me impedia, contudo, de ficar frustada por estar tão ansiosa. “É só mais uma prova, é só ir lá e correr”, repetia para mim mesma, como um mantra.

A mudança para o horário de verão não foi um problema. Quatro horas da manhã (do horário novo) eu já estava acordada. Cheguei na USP quando ainda estava escuro, com aquela vontade doida de, finalmente, ir lá e correr. Como combinado, encontrei com a Gabi, a Claudia e a Juciara na arena e fomos juntas para a largada. Resolvi correr ouvindo música e preparei uma playlist com meus episódios favoritos do podcast do Ronaldo Gasparian. A contagem regressiva terminou, balões subiam ao céu e os pelotões avançavam. Gabi me mostrou seu braço arrepiado e fiquei com vontade de chorar, mas segurei a emoção para me manter focada na prova.

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Com Gabi e Clau pouco antes da largada

Se no ano passado a W21K aconteceu em uma manhã nublada com termômetros entre 18 e 20 graus, o último domingo prometia céu aberto, com o sol queimando a mais de 30 graus. Isso já tinha sido motivo de uma longa conversa com a Mari na semana anterior, quando discutimos estratégias de prova para dias quentes (ela enfrentaria um desafio ainda maior, correndo a Meia Internacional do Rio com largada às 8h30 da manhã). A princípio, eu queria fazer uma prova progressiva, tentando aumentar o pace a cada 7 km. A sugestão da Mari era o contrário, que eu acelerasse no começo, quando a temperatura estaria mais baixa e eu renderia melhor.

Nos primeiros quilômetros tive a companhia da Clau. Fomos conversando e, quando me dei conta, estava correndo mais rápido que o pace que pretendíamos. Lembrei da sugestão da Mari e, já que estava confortável, segui o que meu corpo pedia. Acabei me distanciando das meninas, mas esses minutos que ganhei no começo da prova foram fundamentais lá no final. No primeiro cotovelo, quando nos cruzamos no km 4, trocamos sinais de que estava tudo bem. Cruzei também com a Aline, que corria os 10k, e vi no rosto dela aquela expressão que mistura alívio e alegria ao ver que tudo está acontecendo conforme o previsto. Isso me deu ainda mais confiança.

O primeiro terço da prova passou que nem vi. Na altura do km 8, reencontrei a Claudia, que tinha se empolgado e estava mandando ver. Tentei acompanhar, mas o calor começava a dar as caras e precisei diminuir o ritmo para um pace mais confortável para mim. Não via a hora de voltar para a USP, não só porque seria a segunda metade da prova, mas porque lá teria árvores!!! Hahahahaha…

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Entrando na USP para a segunda metade da prova (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run Brasil)

Eu tinha esquecido totalmente que correríamos na Avenida Politécnica. Do km 12,5 ao 16 não havia quase nenhuma sombra e foi, de longe, o trecho mais duro da prova para mim, mesmo sendo plano. Eu já havia jogado muita água no corpo e até gelo nos pontos de hidratação, mas ainda assim o sol castigava. Foi quando me rendi e tirei a regata do CM para correr só de top, mesmo com as gordurinhas balançando. Quem se importava? No retorno da avenida, a Gabi vinha no sentido oposto também correndo de top. Comecei a rir sozinha – minha profecia do ano anterior se cumpria! 😛

Também foi nessa hora que me lembrei da Mari, mais uma vez. Ela trabalha ali perto e, por muitos anos, quando eu também trabalhava por ali, tivemos almoços animados com a Pri no McDonald’s que fica no final daquela avenida – em uma época em que nem imaginávamos que um dia estaríamos correndo, quando mais meia maratonas! Pela hora, ela já teria largado no Rio e aí me veio na cabeça algo que a Mari sempre diz: quando ficar difícil, corra cada quilômetro com uma pessoa que você gosta.

Comecei a listar mentalmente com quem eu correria aqueles últimos 7 kms. E bem nessa hora começou a tocar nos fones This One’s For You, do David Guetta – poderia ser mais perfeito? Enquanto ouvia a Zara cantar “Estamos nessa juntos, ouça nossos corações batendo juntos, nos manteremos fortes juntos… essa é pra você!” recuperei minhas forças e segui rumo à USP, rumo à sombra e ao pórtico de chegada.

Faltava pouco para a placa dos 17 km, a maior distância que eu havia percorrido até então, e aquela vontade de chorar voltou com força. Eram os quatro quilômetros que faltavam entre eu e a minha primeira meia maratona! Mas vocês já tentaram chorar enquanto correm? Não dá! Hahahahaha… Parece que você vai sufocar. O choro entalava na garganta e, entre chorar e correr, fiquei com a segunda opção.

Sempre detestei percursos com vários “cotovelos”, mas aqueles retornos nos últimos kms lá na USP tiveram uma vantagem e tanto: pude cruzar com várias amigas nesse finzinho de prova. Fiz high-five com a Ju Bueno e a Clau, comemorei quando vi que a Juciara tinha recuperado o ritmo e já estava lá na frente, cruzei com a Gabi e gritei apontando para o relógio “vai dar, vai dar!”. Hahahahaha…

E deu, estávamos quase lá! As placas indicavam os metros finais: 500… 400… 300… Como sempre, o Cris fotografava nossos momentos como só ele sabe fazer (procurem suas fotos no Foco Radical com a descrição POP16W21K). Agora era só entrar no Cepeusp e correr os últimos metros na pista de atletismo.

Tô derretendo, mas tô chegando! rs (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run BR)

Tô derretendo, mas tô chegando! rs (Foto: Cristiano de Lima/PopCorn Run BR)

Nem senti a subidinha do Cepeusp e quase caí na pista tamanha empolgação! Hahahaha… Chegando vi o relógio, soube que tinha feito a prova em menos de 2h40 (deu exatamente 2h35min08s no tempo oficial) e comecei a pular comemorando antes mesmo de cruzar a chegada. O Zé estava me esperando na grade, junto com a Aline e o Beto e eu tentava organizar o corpo e a cabeça. Calor, calor, calor… Eu precisava de uma sombra, mais que qualquer coisa!

Pegando a medalha me dei conta que, diferente do ano anterior, não teríamos o colarzinho de recordação da prova. Que pena! Recebi o lanche, o isotônico, o sorvete, mal cabiam as coisas nas mãos, e fui para a primeira sombra que encontrei. Ainda estava processando aquilo tudo, tantos sentimentos… Foi quando a Aline chegou com uma caixinha nas mãos e disse: você sabe que a Mari queria muito estar aqui, então ela te mandou um presente. Abri e era uma colarzinho com dois pingentes: um tênis e uma medalhinha de 21k. Comecei a chorar, claro!

Tenho ou não tenho as melhores companheiras de blog?! 😉

Aos poucos as meninas foram chegando, conversamos, celebramos, tiramos fotos, levamos nossas medalhas para gravar… Não foi uma prova fácil, mas toda a nossa preparação, dedicação e, acima de tudo, toda a nossa paciência compensaram! rs

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Merecida e tão aguardada medalha!

Depois da prova… Bom, tem sim um depois! Mas esse vai ficar para outro post porque este aqui já está enorme!!!

Obrigada a todas vocês que me acompanharam, me deram força, me deram tchauzinho antes, durante e depois da prova. Como dá para perceber, fez diferença sim! 

  1. Daise disse:

    Ju, como estou adorando ler este relato. Em 2/10 eu corri minha primeira meia maratona também (mas ainda não escrevi sobre ela no meu blog). Fui a Portugal e corri a Global Race lá, fiz 10k, e na semana seguinte corri a Rock’n’Roll Half Marathon Lisboa. Foi delicioso, foi lindo, só lamento que não tivesse ninguém me esperando na chegada, ninguém para dividir ali mesmo aquela sensação tão boa.
    Eu me emocionei de verdade com a parte do presente da Mari. Não deu pra segurar a lagriminha não. :~
    Parabéns por essa conquista. Obrigada por dividir cada detalhe com a gente – adoro relato de corrida, ainda mais quando eu estou na mesma “vibe” da prova que está sendo descrita.
    Um beijão.

    • Ju Vargas Ju Vargas disse:

      Oi, Daise! Que máximo!!! Agora que eu fiz minha primeira meia “em casa”, tô doidinha para fazer uma meia em outra cidade do Brasil – ou, quem sabe, no exterior!

      Essa deve ter sido incrível, mesmo sem ter alguém te esperando na linha de chegada, tenho a certeza de que foi inesquecível e que muitas pessoas que te querem be estavam contigo em pensamento. 🙂

      Depois avisa aqui quando publicar sobre a sua meia no seu blog que eu quero ler!! 😉

      Beijo!
      Ju

  2. Nara disse:

    Oi Ju, mto emocionante o post. Estou super ansiosa pra correr a Pampulha que são 18km e será em 04/12. Até hj cheguei nos 15km, mas estou com muito medo de ter dificuldade em chegar no 18km considerando que na prova a ansiedade, nervosismo, psicológico podem atrapalhar. Vi que vc não tinha corrido nem 17km qdo fez 21km…O que te fez acreditar que ia dar certo? Como estou indo sozinha não vou ter o mesmo incentivo que o seu, acho que com amigas por tempo pode ser bem mais tranquilo. Adorei a dica “quando ficar difícil, corra cada quilômetro com uma pessoa que você gosta.”. Tem mais alguma pra compartilhar? Parabéns pela conquista! Bj

    • Ju Vargas Ju Vargas disse:

      Oi, Nara! Que emoção correr a Pampulha, essa é uma das provas que estão na minha lista de desejos! 😀

      Antes da meia, a prova mais longa que eu tinha corrido foi de 10 milhas (16 km), mas nos treinos cheguei a rodar até 17 km – isso varia conforme o treinador/planilha; alguns colocam longos com 18 km, outros chegam ainda mais perto dos 21. Achei que foi suficiente ter chegado até 17 km antes dos 21 de fato. Talvez porque eu já corro há alguns anos, esses 4 km a mais não me pareceram impossíveis, sabe? A impressão que tenho é que, mais importante que os kms em si, é a quantidade de “longões” antes da prova, para preparar a cabeça e acostumar o corpo com o tempo maior de atividade física. Até porque tive longões incríveis e outros péssimos, hahahaha… 😛

      Na prova, quando cheguei nessa hora, não me deu medo nem cansaço, pelo contrário, fiquei emocionada e muito feliz em ver que estava finalmente alcançando novas distâncias! Tem ansiedade e nervosismo, sim, faz parte. Mas também tem muitos sentimentos bons que nos empurram para frente nesses quilômetros a mais. Então, se você já fez 15 km, com certeza vai tirar de letra esses últimos 3k que faltam para a Pampulha! 😉 Foca nas coisas boas, em tudo que você fez para chegar até ali, nas pessoas que te apoiaram, nas coisas gostosas que você vai comer quando terminar a prova (hahahahaha…), enfim, tenta trazer pensamentos positivos que, quando você menos esperar, já vai estar com a medalha no peito! 🙂

      Beijo!
      Ju

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