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Inspiração

Corrida da Leitora: Cristine Stahlschmidt

Adoramos quando vocês compartilham suas histórias conosco. Hoje é dia da Cris, que além de corredora é também triatleta. A Mari conheceu a Cris quando estava treinando pra primeira meia maratona dela, e desde aquela época já a admirávamos muito. 🙂 De lá pra cá ela evoluiu e tem brilhado em tudo que se propõe. Um exemplo de dedicação, persistência e amor ao esporte.

Obrigada Cris por compartilhar sua história conosco. <3

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Cris correndo a Maratona de Chicago 2015.

Olá leitoras do Corre Mulherada, tudo bem?

Vou contar pra vocês um pouco da minha história e sobre como a corrida (e mais recentemente o triathlon) entraram na minha vida… Para quem não me conhece, meu nome é Cristine, moro em São Paulo – SP e sou oftalmologista. A minha história com a corrida começa ainda na época do Ensino Médio.

Sempre fui uma criança com sobrepeso, meio descoordenada e péssima em esportes coletivos. Como eram os esportes coletivos os que apareciam nas aulas de Educação Física, fica fácil descobrir que vivi boa parte da infância e adolescência quase que totalmente sedentária. Meus pais até tentavam incentivar, cheguei a fazer natação, ginástica olímpica e até aulas de tênis (esse último então foi o maior desastre… rs). Mas no fim eu sempre desanimava com minha falta de jeito e acabava me incomodando com as gracinhas e apelidos, desistindo e voltando ao sedentarismo.

No início da adolescência o sobrepeso passou a incomodar ainda mais e resolvi entrar em dieta. Perdi 10kg e desde então, entre altos e baixos, nunca mais fui “gordinha” novamente. Mas também tenho consciência de que nunca mais vou poder descuidar de minha alimentação.

Dito isso, passamos ao Ensino Médio: nessa fase eu mudei de escola e passei a ter mais gosto pelos esportes individuais que eram oferecidos (voltei a nadar e comecei a gostar das aulas de atletismo). No final do ano, sempre eram realizadas as Olimpíadas do colégio e foi no terceiro ano do Ensino Médio que resolvi participar da corrida rústica das Olimpíadas. Foram 4,5km num sobe e desce morro, quase morrendo. Fiquei em quarto lugar e aquilo me deixou super animada. Foi a minha primeira corrida!!!

Mas com o fim da época de colégio veio a indecisão profissional, dois cursos universitários que comecei e abandonei e uma fase bem difícil até me encontrar pessoalmente e decidir que queria ser médica. Com essa decisão veio a mudança para Florianópolis (morava com meus pais no Rio Grande do Sul), o período pré-vestibular, início de curso… Nem precisa dizer que o sedentarismo voltou com força total né? Até ensaiava uma volta à academia, mas logo desistia. E assim foi até o quinto ano do curso de Medicina. No quinto ano, começaram a pesar as longas horas de estudo já pensando na prova de Residência Médica no final do curso. Depois de mais de dez horas entre aulas e estudos diários, sem final de semana ou feriados, além do cansaço mental comecei a sentir várias dores pela má postura. Resolvi, sem orientação nenhuma, colocar meus tênis e começar a correr na Av. Beiramar Norte, local tradicional de quem pratica caminhadas e corrida em Floripa… Tive sorte de não me machucar, pois foram 2 anos assim, sem orientação!!! Errado, mas serviu para tirar um pouco a cabeça dos estudos e melhorar minhas dores nas costas. Daí pra frente, nunca mais parei. Isso foi em 2007, já são 8 anos de corrida na minha vida.

Veio a residência médica e no fim do primeiro ano a primeira prova de corrida de rua. Como eu já aguentava correr uns 8 km nos treinos, me inscrevi para a prova de 10km. Lembro que sofri muito para completar em uma hora e vinte e poucos minutos! Passei o resto do período de residência correndo sem pretensões e fazendo uma prova de 10k de vez em quando. Agora ainda sem assessoria, mas já com tênis e roupas adequadas!!!

O ano de 2012 chegou trazendo muitos desafios e mudanças: me tornei Oftalmologista e, após 10 anos morando em Floripa, eu precisava dizer adeus. Saí com lágrimas no rosto e sem vontade alguma de enfrentar a vida em Sampa. Eu sempre tive um pouco de medo e receio de vir morar aqui, pois a cidade enorme me assustava e parecia que ia me engolir. Mas foi necessário para fazer minha sub especialização. Tomei coragem e enfrentei. Os primeiros seis meses de 2012 foram os piores que já vivi. Solidão por estar em um local desconhecido, falta de amigos, frieza de todos os lados. Some-se a isso a dor de um término de relacionamento e a distância da família e o resultado foi: sedentarismo e uma crise feia de depressão. Até que um dia eu resolvi virar o jogo. Como? Correndo e me exercitando. Conheci um profissional que até hoje é meu personal e que estava começando uma assessoria de corrida no Parque do Ibirapuera.

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Hoje costumo dizer que a vida ganhou cor depois desse dia que voltei a correr. São Paulo de cinza passou a ter outro colorido. Voltei a correr uma prova de 10k na Lótus em 2012 e já de cara senti a diferença de treinar com quem entende: recorde pessoal na primeira prova!!! Sub 1h nos 10k, algo que tentei nos meus 3 anos correndo sozinha e nunca consegui. Dali pra frente comecei a fazer amizades, voltei a cuidar mesmo da dieta e nunca mais parei!!!

Em 2013, surgiu a vontade de fazer minha primeira meia maratona e de lá pra cá já as corridas de longa distância me conquistaram de vez! No final de 2013, já mais estável e adaptada em São Paulo, na profissão e com horários mais previsíveis, comecei a sentir vontade de realizar um sonho que eu tinha desde quando morava em Florianópolis: o triathlon e o Ironman. Eu assisti o Ironman Florianópolis durante os anos que morei lá, pois o percurso de ciclismo passava em frente a minha casa. Sempre tive admiração por todos que se aventuravam naquela prova e não podia nem dimensionar o esforço necessário para completá-la. Queria um dia estar competindo e agora acreditei que seria possível.

Foi assim que participei de um primeiro duathlon com uma mountain bike emprestada e subi pela primeira vez desde que comecei a correr ao pódio! No mês seguinte comprei a bicicleta e comecei a treinar…

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O triathlon hoje é, junto com a corrida, uma das paixões da minha vida. Já não me imagino vivendo sem a rotina de treinos, alimentação e descanso. Em 2014, continuei os treinos e provas mais curtas de triathlon, fiz o primeiro meio Ironman em Brasília e a estréia em grande estilo na maratona em Chicago.

E, no ano de 2015, o sonho que existia há tanto tempo se realizou: completei pela primeira vez o Ironman em Florianópolis. Posso dizer que foi a prova mais incrível e feliz da minha vida. Sorri do início ao fim, chorei de emoção, comemorei com a torcida. Foi tudo melhor do que imaginei! Depois de um merecido descanso, voltei à Chicago no final do ano para mais uma maratona, dessa vez com objetivo de baixar meu tempo e, quem sabe, qualificar para Boston.

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O tempo baixou… A qualificação só saberei no final do ano, pois mesmo tendo feito o índice, vai depender da procura pela maratona que é enorme!!! Ah, e me aventurei pelas corridas de montanha no El Cruce, com certeza a prova mais linda e dura até hoje.

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Cris no El Cruce, “prova mais linda e dura até hoje“.

Para esse ano, já tenho alguns objetivos e vou focar mais em melhorar no triathlon. Se eu pudesse dizer algo para mim mesma há quase 10 anos atrás, quando era sedentária e não me imaginava correndo nem 200 metros, eu diria: corra. O prazer da corrida é um dos maiores e não requer muita coisa, nem um lugar específico. Não importa a distância nem o tempo, cada um tem seus objetivos. Seja só para completar um percurso, encontrar amigos, bater recordes pessoais em 5km ou ultramaratonas: toda corredora tem que buscar aquela sensação de felicidade e riso fácil que teve quando terminou a primeira corrida. E lembre-se sempre de sorrir. Ao meu ver, o sorriso torna tudo mais fácil e divertido, faz tudo valer a pena.

No dia que achar tudo difícil, lembre por que começou e tudo de bom que o esporte já trouxe para sua vida… Impossível não arrumar nenhum bom motivo para começar e continuar a praticar sempre!!!

 

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