Juliana dos Santos levou o ouro nos 5000 metros

Teve ouro, sim! 😉

Quem aqui acompanhou os Jogos Pan-Americanos 2015, no Canadá? São tantos esportes que fica até difícil dar conta de tudo, né? 😉

O Brasil levou uma delegação recorde para as provas de atletismo, com 88 atletas! Foram três vezes mais atletas que no Pan realizado no Rio em 2007. E a mulherada que representou o país nas provas de corrida mandou MUITO bem!

Logo na primeira prova de atletismo da competição, a maratona feminina (realizada em 18 de julho), já levamos uma medalha de prata! Uhu! Adriana da Silva fez os 42k em (tá preparada? Hahahaha…) 2h35min40s.

ADRIANA-JOGOS-PANAMERICANOS

Adriana da Silva conquistou a prata na maratona.

Adriana, que levou o ouro no Pan 2011, no México, bateu seu tempo anterior (2h36min37s) – mas não foi suficiente para tirar o ouro da peruana Gladys Tedeja, que cruzou a linha de chegada em 2h33min03s. Uau!

Das 17 atletas inscritas, apenas 11 completaram a prova. Além de Adriana, Marily dos Santos também representou o Brasil e ficou em quinto lugar (ela fez a prova em 2h41min31s).

Mais uma curiosidade sobre essa prova: sabia que ela foi disputada em um circuito composto por quatro voltas de 10 km (um trecho complementar na largada completou os quilometros que faltavam para os 42 km)? Agora pensa: quatro voltas no mesmo lugar em uma maratona de competição… É muito desafio para a cabeça, né? rs

Na prova feminina dos 5.000 metros, disputada em 21 de julho, fomos ainda melhor e levamos uma medalha de ouro pra casa! Quem garantiu o topo do pódio para o Brasil foi a minha xará Juliana dos Santos, que completou a prova em 15min45s97.

Juliana dos Santos nos 5000 metros - Pan 2015

Juliana dos Santos arrasando nos 5.000 metros

Só uma observação: eu tô aqui me matando para fazer 5k em menos de 30 minutos e ela leva METADE desse tempo! Hahahhaha…

A Juliana levou o ouro no Pan 2007 nos 1.500 metros, mas não participou do Pan em 2011 porque seu primeiro filho tinha acabado de nascer (ela é casada com o maratonista Marílson dos Santos) – então imaginem como ela estava com “sangue nos olhos” em Toronto. Hahahaha… 😉 A prova foi super emocionante, com direito a uma arrancada nos últimos 600 metros que deixou todas as outras atletas para trás!

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Flávia Maria de Lima com a sua medalha.

Para fechar o quadro de medalhas, mais uma atleta brasileira subiu ao pódio em uma prova de corrida: Flávia Maria de Lima conquistou o bronze nos 800 metros, completando a prova em 2min0s40. Esse foi o melhor tempo da sua carreira (anteriormente, o recorde pessoal de Flávia era de 2min0s81).

Agora, ela quer treinar para fazer a prova em menos de dois minutos para bater o recorde brasileiro, que é de Luciana de Paula Mendes: 1min58s27. :O Incrível, né?

Inspiração pura essa mulherada! <3

Claro que estamos falando aqui de atletas de elite, simplesmente as melhores do Brasil, então nem dá para comparar os tempos que elas fazem com os nossos, “meras mortais”, hahahaha… Mas que dá um gás para treinar, não tem como negar! 😉

Há 1 ano contei aqui no blog que tinha o desejo de correr uma Meia Maratona. Até aí tudo bem, já tinha um tempo que corria provas de 5km e querer partir para distâncias mais longas é super comum. Mas aconteceram pequenos percalços, que vão desde a uma fratura no cóccix até “pegar bode” da corrida. rs
Alguns fatores estavam contra mim, sou uma corredora de perfil lento e para alguns profissionais ainda estava imatura para tentar “voar mais alto” (pelo menos até 2017 rs). Relutante, aceitei as minhas limitações e segui com a vida.

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Com as Jus (Ju Natal e Ju Vargas atrás) festa de #2AnosCM

Até que na festa de #2anosCM uma amiga muito querida, a Ju Natal, me presenteou com algo que até então já tinha desistido. Sem maiores detalhes, ela não poderia correr a Maratona do Rio neste ano e por isso deu sua inscrição para mim. Senti um clique no coração e chorei abraçada a ela. Sabia que era um sinal que deveria pelo menos tentar realizar esse sonho, vencer esse fantasma que morava na minha cabeça e tinha que fazer isso não só por mim, mas por ela e por todas as pessoas que me apoiaram. ❤
Mandei mensagem para meu treinador e assim começou a ‘História da minha primeira Meia Maratona’.

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Processo de Preparação para a Meia

Mas como nem tudo são flores, cerca de 2 meses antes da Maratona do Rio, fui surpreendida com uma banda iliotibial comprometida (vou contar mais a respeito em um futuro post). E assim na bagagem dessa minha jornada foram adicionados gelo, alongamento, bandagem, antiinflamatórios e paciência. Muita paciência. Falar que foi fácil, seria mentir descaradamente. Fácil não foi, mas digo que foi transformador. Eu me descobri cuidando do “freio” (como chamo meu joelho bugado), suportando dores, em cada treino e em todos aqueles longos que fiz sozinha.

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Já seca no pós 16k

Quando penso em longos, de cara o de 16k vem à memória. Fiz praticamente inteiro debaixo de chuva e frio. Era eu e mais um outro corredor (tão louco quanto eu) naquela pista. Naquele dia tive certeza que seria capaz de tudo o que imaginava e conquistar o tão sonhado 21k.
Bobagem? Talvez, mas PRECISAVA DAQUILO.
Enquanto muitos corredores estavam festejando (se tratava de um super evento na Cidade Maravilhosa!), marcando encontros, eu me escondia cada vez mais no meu casco. Quando estou preocupada, frustrada e com a cabeça cheia, sou mais propensa a me fechar no meu mundo ou me isolar do que compartilhar. E assim me resguardei porque não tinha idéia do que viria, procurei manter o pensamento positivo, mas sabia que o risco do joelho bichar eram enormes. Não queria criar expectativas e me decepcionar. Defesa? Talvez…

Até que chegou o grande dia.

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Dia da Retirada do Kit (atrás o mapa do percurso)

 

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Trouxe Comigo o bilhetinho da Ju. <3

Acordei às 3h30 em ponto e fiz todo o ritual de preparação. Tudo o que consegui engolir foi uma tapioca com um pouco de mel e bebi um Gatorade. Estava pertinho da largada dos 42k, mas como as vias estariam fechadas, saímos (marido e eu) cedo da casa da sogra. Estávamos certos, pois pegamos o maior trânsito na Barra e ficamos parados. Para não me atrasar mais, faltando mais ou menos 2k da largada da Meia (na Praia do Pepê) me despedi dele e saí do carro. Ele seguiu para o Aterro (local da chegada) para me esperar e fotografar para o blog.

Chegando na largada corri para o banheiro (mal peguei fila) e logo encontrei a Mari. Estava com borboletas no estômago e emocionada com aquele clima de corredores se preparando, casais se apoiando, grupos tirando selfies e veteranos incentivando estreantes. Como não ser contaminada por aquele clima? Era dia de festa! Ah, não posso deixar de citar os curiosos pós-balada que pararam para nos olhar. Bando de doido que acorda às 3h para correr.

Dada a largada, subidinha ‘sussa’ rumo ao Elevado do Joá, [pra mim] a vista urbana/terrestre mais LINDA do Rio de Janeiro. É um mundo de mar à direita e montanha à esquerda. Corri arrepiada com tamanha beleza e naquele momento soltei um ‘Obrigada!’ bem alto por fazer parte daquilo! No finalzinho do Elevado um túnel com DJ e algumas projeções nas paredes, no estilo ‘Balada de Corredor’.

Chegando na praia de São Conrado, pegamos água e isotônico e seguimos rumo à tão temida subida da Niemeyer. Sinceramente? Não achei tuuudo aquilo, talvez os 1626534 treinos de subida me pouparam o esforço (treinem subida!).
Estávamos diante de outra vista estonteante! Tanto que muitas pessoas paravam de correr para tirar fotos. Só não parei porque até aquele momento o joelho não havia reclamado e não queria correr o risco.
Mantivemos o ritmo “de boa na lagoa” para não forçar. E assim passamos por Leblon, Ipanema, até que comecei a sentir uma pontada um pouco antes do quilômetro 14. Com medo, dei uma boa reduzida, caminhamos (Mari e eu) uns metros, mas logo retomamos.

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Mari que até aquele momento estava conversando, curtindo comigo, percebeu e começou a me motivar fortemente. Ela dizia, “Eri, vamos até a próxima placa!” e isso funcionou muito. Parei de pensar no montante que ainda faltava, para focar no próximo objetivo: a próxima placa.

Logo que viramos em Copacabana, tinha ponto de apoio com frutas, água, isotônico concentrado e banheiros. Mari pegou banana e eu mexerica.
Lá o joelho começou a dar sinais fortes e para poupá-lo para o final, caminhei um pouco. Droga, queria correr os 21k inteiros! Eu tinha me preparado para aquilo.
Mas como “catequizei” a cabeça para curtir e completar, seja lá o tempo que levaria, preferi ouvir o corpo. Tinha fôlego, força de vontade, mas não tinha joelho. Fazer o quê? E assim foi, nos #acadêmicosdopace8, de placa em placa, até chegarmos na curva do hotel Windsor, em Copa.

Uma pequena pausa: coisa mais linda da vida ter “platéia” incentivando. Tinham vovôs e vovós nos aplaudindo em Copa. ❤

Voltando à corrida…

Passando o Windor (próximo ao quilômetro 17), o joelho “berrou” e caminhamos. Na placa do 17º km (próximo ao túnel de Copa) voltamos a correr. Lá encontramos leitoras do blog, aliás, encontramos leitoras, amigas e vários rostos conhecidos durante o percurso inteiro! <3

Saindo do túnel, já chegando na Praia do Flamengo, outra cena linda: corredores incentivando outros corredores. Tem um em especial que incentivou não só a acompanhante, como todos ao redor. Tanto que passei por ele e agradeci! 🙂 “Falta pouco”, “são somente 4k e vocês fazem isso em um treininho básico”, “o pior já passou”, “agora é só relaxar e soltar a musculatura”, era o que ele dizia. Engraçado como tem pessoas que passam pela nossa vida num flash, fazem a diferença e vão embora. Como se fossem anjos! Mari também foi incentivadora nessa corrida, levantou não só a mim, como muitas pessoas que estavam caminhando! Mas é contagiante, estávamos todos no mesmo barco e nessas horas precisamos nos ajudar. Gente, isso é maravilhoso! Até eu, que naquele ponto já me encontrava em outra dimensão, consegui arrastar uma pessoa comigo! ❤

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Alegria SEMPRE! Foto: Julio Perfeito

Faltando 3k para a chegada, meu joelho já estava insustentável. Saca correr com o coração? Pois foi exatamente isso que aconteceu.

Agora entendo o que o Dr. Dráuzio Varella quis dizer (livro Correr – resenhamos ele aqui) sobre “ter ódio dos barquinhos, das velas brancas, do Pão de Açúcar, dos desocupados que estavam no bondinho”. A Praia de Botafogo era uma curva infinita! Vimos corredor já entregue, xingando altos palavrões, gente correndo lindamente (invejaaaa), pessoas falando de comida, da Coca ou da gelada na linha de chegada…Teve até corredor berrando ‘Enter Sandman’ do Metallica. E de repente viramos todos amigos, sofrendo juntos ridículos 3 quilômetros. hahahahhah

Chegando no Aterro do Flamengo, a torcida deu aquela injeção de ânimo. Ouvi vários ‘Coooorre, Mulherada’. Até ouvi um ‘Vai Japão’, mas não sei de quem. Por favor, se pronuncie! hahahah

Assim que avistamos o pórtico, a força que nem sabia que ainda existia fluiu e fui com tudo. Assim, aos prantos, cruzei a linha de chegada de mãos dadas com a Mari.

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Nossa chegada <3

Foi do jeitinho que tinha proposto: respeitando minha limitação, devagar, sempre constante e curtindo muito. Não estava no script meu joelho doer nos últimos 5k. Doeu além do que esperava (não a ponto de ter que deixar a prova), mas consegui suportar a dor e fui até o final. Cara, sou mais forte do que imaginava!

Até um pedaço do percurso fui fazendo Snap (segue lá -> ericaima) para mostrar em tempo real o que estava acontecendo. Salvei alguns para você sentir mais ou menos o clima da prova. 🙂

Considerações Finais

Sobre a prova: organização impecável e não deixou nada a desejar. Tinha suporte, ponto de apoio, banheiros no percurso e não faltou água fresca, isotônico e nem lanchinho. Sem dúvida nenhuma (e já com o joelho tratado) quero voltar a correr essa prova.

Agradecimentos:  à 4any1 por ter abraçado meu sonho, às minhas amigas e amigos, família, pessoal do Instagram/Snapchat/Face que mandou mensagem, meninas do ‘Fala’ (Dani você foi uma linda antes e depois, Tici também), enfim…obrigada a você que acompanhou!

Amigas LINDAS do blog: Li, Carô, JuFe e JuVa que estavam longe e perto ao mesmo tempo. Mari deu a idéia de fazer cada quilômetro dos 4 que faltavam representando cada uma de vocês. Carreguei vocês no meu coração! ❤

Quero agradecer especialmente à Mari, que me acompanhou todo o percurso. Me deu todo o suporte e muito mais do que uma pessoa poderia esperar. Pegou água, Gatorade, fruta, gel (e abriu tudo!), correu no meu pace de tartaruga com freio, respeitou meus limites e me incentivou O TEMPO TODO! Eu não pedi (confessei lá em cima que sou dessas que se fecham quando está preocupada) e mesmo assim você foi sensível, se preocupou, me procurou naquela largada, mandou mensagens… Não tenho palavras para agradecer tudo o que você fez aquele dia. Nunca mais me esquececei!

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Levarei essa experiência para minha vida.
Não foi somente uma corrida de 21,1k. Ao longo desse percurso tive uma aula de companheirismo, foco, superação, cabeça (sim, tudo ficou mais difícil quando fui levada por ela), doação e reconhecimento. Me emociono só de lembrar atitudes de algumas pessoas. Até acendeu uma chama de fé na humanidade no meu coração. rs

Sobre mim?
Bom…o que você vai ler não é comum vindo de minha pessoa, mas estou muito orgulhosa de mim! Pude provar para mim mesma e para outros que SIM, EU SOU CAPAZ. Claro que não sou a favor de fazer nada sofrendo, mas neste caso, cada passada até a chegada valeu a pena (mesmo com dor no final). E de coração espero que minha experiência faça você perder o medo que sente, seja ele qual for.

Na Maratona mais bonita do Brasil nasceu um outra pessoa (melhor) dentro de mim.
Hoje sou uma nova corredora, hoje sou Meia Maratonista! ❤

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A medalha mais especial.